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Vanderlei Luxemburgo

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  1. 06/08/2007

    Derrota para o espelho


    Um São Paulo adaptado ao futebol "feio" e eficiente. Mas sem citar a fonte.


    De novo, mais um jogo em casa. De novo, pontos perdidos. De novo, um adversário retrancado. De novo, alugamos meio campo. De novo, sem jogada pela esquerda. De novo, sem finalização de qualidade. De novo, a geral apoiou. De novo, a social vaiou. De novo, o lateral vem até o fim da semana.

    A novidade foi o São Paulo jogando ao tão criticado estilo de jogo tradicional do Grêmio, um xerox na cara dura. Com duas vantagens: Eles tem ataque para dar o bote e a arbitragem é cúmplice nas faltas mais duras. O juizão ontem teve muito talento em distribuir os cartões direitinho para não dar o segundo para ninguém. É o São Paulo aprendendo na fonte que o futebol arte morreu e “joga bonito” é só um slogan para vender chuteira.

    O Grêmio vinha pontuando bem enquanto estava focado no sistema defensivo, veio a pressão em atacar mais mesmo sem atacante. Perdeu Schiavi e mudou-se o foco para o ataque. Desandou a maionese. O Grêmio pressionou, pressionou e pressionou de novo. Mas em três ataques que teve, o São Paulo fez dois gols. Como resolver um problema sem criar outro?

    Sem ritmo de jogo e na função que não é exatamente a dele, Bustos estreou muito bem. Em certa altura do jogo, quando parecia que a sorte não ia dar mesmo uma chance para o ataque a esperança era uma falta perto da área para o colombiano mostrar seu cartão de visitas. A falta veio, não exatamente no lugar que queríamos, mas mesmo assim a cobrança foi perfeita, picando forte na frente do goleiro. Poucos goleiros defendem uma bola que chega assim, mas estava lá um destes.

    O Grêmio é de chegada e já tivemos recuperações em situações bem mais complicadas que esta. Ano passado nesta mesma 17ª rodada estávamos com sete pontos a menos do que este ano. O próximo jogo é para recuperar a confiança. Sem querer desrespeitar o América, até porque não estamos em condições disto, mas depois de ter perdido para o líder, buscar a recuperação contra o lanterna é uma obrigação.

    E que falta fez o Carlos Eduardo.

  2. 04/08/2007

    A “vilanização” do Grêmio



    A moda agora é a vilanização do Grêmio. Primeiro foi o Atlético paranaense fazendo aquele drama todo por um acidente de trabalho e tendo que engolir seu próprio jogador inocentando o Tcheco. Agora o São Paulo pede a presença do STJD no jogo do Olímpico. Motivo? Conseguiu ver ameaça na frase “As coisas não vão ser fáceis para o São Paulo”. Algo que é dito centenas de vezes todos os dias nas entrevistas com jogadores, técnicos e dirigentes. Não duvido que a próxima reclamação venha ser sobre o barulho da torcida no Olímpico. Aliás, isso já vem sendo motivo de desculpa para derrotas de muita gente.

    Estão transformando o campeonato brasileiro em um filme de bang-bang onde o Grêmio foi escolhido como o bandido. Não sei quem é o mocinho, mas o que aparece de donzela em perigo, não tá no mapa.
    Isso pode até ser engraçado, mas é uma situação perigosa, esse negócio de tirar o Grêmio para um time violento e o Olímpico um território perigoso é algo muito bem arquitetado. Uma mentira repetida inúmeras vezes acaba se tornando uma verdade e como a arbitragem brasileira é bem sugestionável, numa dessas um árbitro entra em campo vendo falta onde não tem, puxando vermelho quando era pra ser amarelo. No jogo contra o Figueirense tivemos um trailer desse filme.

    É de se compreender o temor do São Paulo em jogar no Olímpico, para um time acostumado a jogar em campo neutro quando atua em casa, sair para enfrentar uma torcida que não pára de alentar nos 90 minutos é uma diferença e tanto. Ta aí um 12º segundo jogador que o poderio financeiro de nenhum time consegue comprar e no Brasil só o Grêmio tem, por contrato vitalício. Nunca se lesiona, nunca é dúvida, vai estar lá sempre.

    Quem também vai estar lá neste domingo é o colombiano Bustos, fazendo sua estréia com a camisa tricolor, ainda sem saber se com a 6 ou com a 2. Se o Mano está ansioso pela estréia do gringo velocista e cobrador de faltas, imagine a torcida. Gavillán também volta e dessa vez teremos uma certeza: não será substituído pelo Edmílson. Já que este rescindiu contrato neste sábado. Desejo uma melhor sorte para ele no Criciúma.

    Quem não vai estar lá é Marcel, aquele que o São Paulo, inexplicavelmente, adquiriu um pavor repentino a ponto de não assinar a liberação para o jogo e depois criou toda essa tempestade em copo d’água. Totalmente sem necessidade esse medo, respeito já basta. Vamos de Tuta ou Douglas de novo, mais provável que seja o primeiro. Discorde quem quiser, mas o time joga melhor com ele, mesmo quando ele não guarda.

    Amanhã, time prá cima deles. Peleia, garra, empenho, chutão e catimba quando for preciso e alento na arquibancada nos 90 minutos, na boa ou na ruim, incondicionalmente. Mais uma vez, não vai haver comunicação dentro de campo. Se isso é ser o vilão do futebol brasileiro, então os somos. Chamem a cavalaria!



    Depois de uma situação como esta. Dá prá entender o temor deles.

    Video: Ducker

  3. 03/08/2007

    Sorte pro azar



    Quando eu já imaginava como escrever mais uma vez sobre um jogo destes que dava para ganhar fácil e que resultavam em dois pontos perdidos, o destino me surpreende mostrando como a situação pode ser pior. O gol sofrido no final teve sabor de castigo pelas tantas oportunidades desperdiçadas, para quem vem dando sorte ao azar faz tempo.

    Na próxima rodada, quem chegaria com certa tranqüilidade para dar um acréscimo de qualidade num time que bem ou mal estava pontuando bem, se tornam a cavalaria e já entram com responsabilidade, e consequentemente, intranqüilidade dobrada. Eduardo Costa ainda não está pronto fisicamente, Bustos pode ter que já estrear improvisado na lateral-esquerda.

    Já o Marcel... Coitado desse cara, entra com a missão de resolver o problema do ataque, com uma pressão tamanha que já vai se sentir devendo gol antes de entrar em campo. Isso se de uma hora para outra a ética resolver aparecer pelo Morumbi e o presidente do São Paulo assinar a transferência. Mas alguém espera ética da diretoria do São Paulo?

    Se tem alguma coisa de positivo nisso, que seja a ficha caindo para o Pelaipe, e ele se dar conta que precisamos de mais um zagueiro sim. Junto com o lateral-esquerdo já não são questão de simplesmente repor peças, é questão de vida ou morte no campeonato. Não dá mais pro Mano ter que inventar uma gambiarra para cada jogo.

    O momento é complicado, domingo vai ser um divisor de águas para o Grêmio no campeonato. Quem não consegue se controlar e acha que vaia resolve alguma coisa, faça um gesto de amor ao Grêmio, não indo ao Olímpico. É dos momentos que o Grêmio precisa daqueles que estavam lá apoiando na série B, dos que acreditaram no 4x0 contra o Caxias, daqueles que empurraram o time para a final da Libertadores e para os que estavam naquela chuva fria em Florianópolis ontem. Os outros podem ficar nas cobertas em casa.

  4. 01/08/2007

    Rumo à liderança,
    mas com escala em Floripa



    Deixando o Atlético falando com a mão, o Grêmio segue a Florianópolis, para enfrentar o Figueirense, que atualmente encontra-se na zona do limbo na tabela do Brasileirão, mas não deixa de ser um adversário tradicionalmente mais chato que chinelo de gordo. Basta lembrar os dois jogos do ano passado. O time, como em todas as rodadas é um mistério até entrar em campo, mas o certo é que tem modificações em todos os setores.

    Na defesa, Thiego tá louco pra ocupar sua verdadeira função no lugar do Schiavi, mas deve continuar na lateral, deixando a zaga para o Pereirão. No meio de campo, vamos de Edmílson, estepe oficial do Gavillán. Quem surgiu como providencial surpresa é Sandro Goiano, que pode entrar na segunda função e liberar o Diego Souza mais pra frente. Diego agradeceria, já que não rendeu muito quando recuado.

    No ataque, Tuta, novamente lesionado (já acho que é caso para uma benzedeira) deixa a oportunidade para a estréia de Marcel, que aguarda seu nome no BID, uma espécie de diário oficial da CBF. Se a burocracia atrapalhar é mais uma chance para Douglas.

    É a última rodada antes da fase “lomba abaixo” do Campeonato, com gente esperando para estrear em quase todos os clubes. O Grêmio pode terminar esta fase com 10 jogos invictos, para ir com tudo pra cima do São Paulo, reforçado de Bustos e Eduardo Costa.


    Pá e Pum

    Adiós Schiavi
    Schiavi chegou quieto e saiu calado, se isso tivesse acontecido a mais ou menos dois meses atrás, muita gente teria dito “já vai tarde” e teriam o colocado no mesmo avião do Boca. Mas o magrão, que ouvia tão pouco quanto falava, foi fazer o trabalho dele e saiu com o Grêmio invicto desde que ele voltou ao time. Só vendo Saja buscar a bola na rede três vezes, formando com Willian, uma zaga com um desempenho que não víamos há anos. Talvez tenha dado certo porque o gringo não entendia as cornetas, mas quantos outros poderiam estar rendendo mais se não fosse o “incentivo de grego” que vem de uma parte das arquibancadas? Para quem tenha servido o chapéu, que fique a reflexão.

    Pelaipe e os reforços
    A impressão que se dá é de que o Pelaipe já está de saco cheio de correr atrás de reforços. Só isso explicaria perder mais um jogador peça-importante e dizer que “não vai atrás de um substituto e segue com o que tem para o final do campeonato”. Isso na mesma semana em que o conselho anunciou que o Grêmio finalmente fechou um balanço com saldo positivo, onde só a receita da televisão foi 50% maior que o gasto com futebol. Tem sido uma batalha árdua contratar jogadores de nível como o Grêmio precisa num período onde a procura é maior que as ofertas. O lateral esquerdo então, nem se fala. Tudo isso é compreensível. Mas Pelaipe, não vai te entregar agora. Se quando tínhamos Schiavi, já se procurava um zagueiro, sem ele não precisamos mais?

  5. 30/07/2007

    Novela mexicana



    Essa novela mexicana que o Atlético Paranaense criou em cima de dois lances normais de jogo me parece mais uma tentativa de condicionamento da arbitragem para o restante do campeonato pra cima do Grêmio. Claro, dois jogadores saindo de ambulância do estádio é uma imagem chocante, um fato lamentável, mas usar um fato inusitado destes para tentar criar uma imagem distorcida dos acontecimentos é patético.

    No primeiro lance, Tcheco e Alex Mineiro disputam o lance na área, a altura da bola está muito mais para um chute do que para um cabeceio. O Tcheco opta pela opção mais óbvia, até por sua posição no lance. Alex tenta o cabeceio, deu no que deu.
    Schiavi foi acusado de co-autoria do “crime” na novela, teve o papel, segundo Antônio Lopes, de ter “empurrado o jogador para o Tcheco chutar”. Quanto delírio para imaginar tanta premeditação e ensaio. Além do mais, o vídeo mostra que Schiavi sequer encosta no Alex. Nem com muito esforço para tentar, se consegue ver deslealdade de qualquer jogador no lance.

    O lance que resultou nos dentes quebrados do jogador Evandro eu no estádio não vi, o juiz não viu, o bandeirinha também não, nenhum jogador em campo viu e as câmeras não pegaram. Assim fica fácil de qualquer um dizer que aconteceu o que bem entender. Só que ainda não chegaram um consenso e se atrapalham ao acusar uma hora o Gavillán, outra hora o Diego Souza.

    A nota divulgada pelo Atlético é de um teor literário digno de uma novela mexicana. Qualquer um que ler a nota e ver o lance percebe isso. Lamentável a atitude do Atlético, tanto quanto os acidentes de trabalho ocorridos. Quando lembramos do Grêmio do Felipão nos damos conta que esse tipo de tentativa de condicionamento da arbitragem e dos tribunais esportivos é mais velha que andar a pé.

    Enfim, Já foi muita atenção para tanta mesquinharia. Desejo uma rápida recuperação aos jogadores e um pouco de noção aos dirigentes do Atlético Paranaense.

  6. 29/07/2007

    Se não fossem as perspectivas...



    “Quero ver meu time jogando mais e tenho certeza que vai jogar mais”
    Mano Menezes, na coletiva de ontem

    4º graus no Olímpico para Grêmio x Atlético e o que congelou, por uma rodada, foi a escalada do tricolor na tabela. Estacionamos no terceiro lugar e perdemos a chance de encostar no Botafogo. Foi um jogo perfeito para corneteiro descarregar todas as suas frustrações no time. Pouca coisa deu certo em campo e vimos repetir o filme do jogo com o Palmeiras. Mais uma vez saímos na frente mas pecamos na desatenção e cedemos o empate, de novo em um lance de futebol da 5ª série. A reação desta vez até foi melhor, o Grêmio amassou o Atlético, mas perdeu gols que não se pode perder. A afobação explica, mas não justifica.

    Analisando o contexto geral, chegamos em agosto vivos na busca pelo título, muita gente parece não se dar conta da importância disto. Agora pipocam estréias de jogadores em quase todos os clubes e outros vão se despedindo. O Grêmio foi dos que melhor contratou na minha opinião, na disputa com Flamengo e São Paulo, trouxe Bustos e Eduardo Costa que não deixam dúvidas, além de Marcel, que tem potencial. A dificuldade está justamente em repor onde perdeu. Lateral-esquerdo está mais disputado no mercado que china nova na Tia Carmem.

    O Mano tem a faca e o queijo na mão para promover pelo menos duas estréias já na quinta feira contra o Figueirense. Tuta saiu de campo lesionado e vai ser avaliado nesta segunda. A não ser que o Mano ainda prefira o Ramón, Marcel está com sede de bola para entrar no ataque. O terceiro cartão amarelo do Gavillán também abre uma vaga para estrangeiro, chance para Bustos estrear no lugar do Patrício. Se não acontecer, vai ser por receio do Mano em promover duas estréias em um jogo só.

    Mas para quem estava tendo que promover juniores a cada jogo até agora, promover duas entradas com acréscimo de qualidade não deveria ser problema. O problema mesmo, é que os reforços entram sem entrosamento e muita gente vai querer que o Marcel faça três gols e o Bustos mais dois de falta no primeiro jogo.

    Foto: Grêmio.net

  7. 27/07/2007

    Grêmio x Atlético, jogo do café.



    Amanhã é contra o Atlético Paranaense, peleia para colocar o Grêmio no calcanhar do Botafogo, bem perto de dar a rasteira. Jogo da promoção do café, oportunidade para muito pai deixar de submeter os filhos ao par ou ímpar para levar ao estádio, para outros não precisarem escolher entre a namorada e a cerveja como companhia e para a maioria, dia de simplesmente “conseguir” ir ao estádio.

    Mas também vai ser o dia de muita gente desinformada ir na Geral achando que é um lugar para se simplesmente “assistir” o jogo. Alguns vão querer reclamar que uma barra ou trapo está na sua frente, outros vão achar que as bandeirinhas são brinde e querer levar para casa de lembrança. Essas coisas. Os dois lados de um jogo do café.

    O time para o jogo contra o Atlético só sai depois de uma reunião do Mano Menezes com o grupo. Patrício e Diego Souza não treinaram, são tidos como dúvida mas acho que devem estar em campo. A dúvida mesmo é na lateral-esquerda, com o guri Anderson ainda fora devido ao corte no supercílio, a disputa é entre Thiego, Revson e Itaqui. Torço pela primeira opção. Não é mais hora de inventar, Thiego está segurando as pontas muito bem por alí.

    Não importando quem estará em campo, casa cheia é importante e faz a diferença no Olímpico. A direção sabe disso e sabe a torcida que tem. Por isso mesmo, fica difícil entender porque a única torcida show do país e que apóia o time nos 90 minutos tem que pagar o ingresso mais caro do Brasil para arquibancada. Pelo jeito, essa torcida vai continuar dividida entre os que conseguem se associar e os que bem que gostariam, mas tem que esperar a hora do café para fazer a sua parte.

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    Sandro Goiano
    Sobre a notícia da tal proposta do São Paulo para o Sandro. Se houvesse algo de real nisso, pelo caráter do Sandro, a direção saberia imediatamente e o Pelaipe garantiu que isso não aconteceu. Mas tentar imaginar o Sandro Goiano jogando pelo São Paulo é algo meio surreal, estilo de jogo e ambientes completamente diferentes. É mais ou menos tentar imaginar o Slayer tocando no Raul Gil. Não dá.

  8. 26/07/2007

    Náutico 0 x 2 Grêmio

    Funcionou!


    Grêmio e Náutico entraram em campo nos Aflitos com objetivos diferentes. O Grêmio que teve o gostinho da vice-liderança no domingo foi ao Recife buscá-la de vez. O Náutico parece que subiu á primeira divisão este ano só para tentar se vingar do episódio de 2005 e depois volta. Pelo menos é isso que parece, analisado a tabela e percebendo a recepção da imprensa local e da torcida.

    O Náutico não conseguiu seu objetivo. O Grêmio sim, volta do Recife vice-líder, um ponto a menos que o Botafogo, com aproveitamento de 75% nas últimas oito rodadas e hoje descansa chuleando para que Juventude e Sport mantenham as coisas deste jeito.

    Além de mais uma vitória fora de casa, a partida de ontem trouxe de volta características do Grêmio que andavam bem apagadas, mesmo com jogadores importantes voltando. Não faria diferença termos o ataque titular em campo, ele tinha que funcionar. Não adiantava o Tcheco estar de volta ao time, ele tinha que ser o velho garçom de sempre. Não bastava o Tuta estar em campo, precisávamos ver uma tutada. Ontem tudo isso voltou a acontecer. Se vai se repetir daqui em diante é outra coisa, mas tinha que acontecer.

    Sábado, contra o Atlético-PR, é o jogo para juntar as coisas que já vem dando certo, com as coisas que estão engrenando a voltar acontecer. Com paciência da torcida, que cá entre nós, não tem nenhum motivo para estar impaciente, podemos terminar o domingo sem ver ninguém à frente, antes mesmo dos reforços estrearem.

  9. 24/07/2007

    O assassino sempre volta à cena do crime



    Um gremista que queira colocar todos os pôsteres de campeonato conquistados nas paredes de algum cômodo de sua casa passa dificuldade, geralmente tem que acabar sacando o quadro de algum familiar ou o diploma da formatura de alguém para conseguir espaço. Mesmo com tantos títulos para lembrar como temos, torcedores de outros clubes não entendem porque ser justo o de uma decisão de Série B o mais lembrado, enaltecido e assistido.

    Não entendem, e nem nunca vão entender. Conquistar grandes títulos qualquer Once Caldas conquista. Realizar façanhas é que é o difícil, e isso, só um consegue. Naquele dia, jornalistas do mundo se depararam não com uma notícia nova, mas com um fato novo, o que é algo bem diferente, e a Batalha dos Aflitos ganhou mais destaque no noticiário esportivo internacional do que os recentes mundiais FIFA, por exemplo.

    Isso irrita mais do que perceber que nós não nos envergonhamos nem um pouco daquele rebaixamento, ao contrário, nos trouxe ainda mais paixão. Para mim, todo time dito grande do Brasil, deveria ser rebaixado alguma vez, para vermos quem é quem de verdade. Tem muita gente aí, com grande torcida, armário cheio de títulos que tenho certeza que não voltaria mais.

    Nesta quarta o Grêmio volta ao palco daquela batalha, contra um Náutico que também teve sua vida mudada com o 26/11/05. Depois daquele dia restaram menos de 1000 sócios e torcedores queimaram camisas do clube. Por isso, é um mérito do Náutico, assimilar o trauma e conseguir subir a Série A no ano seguinte. O que deu motivo para se lançar um DVD entitulado a Batalha dos Aflitos 2 “A Volta Por Cima”. Desde então a sede para jogar contra o Grêmio é maior do que a de qualquer clássico do Recife. Para este jogo, o time que estava na lanterna ganhou uma motivação a mais do que já precisaria, ao vencer o Corinthians por 3x0 fora de casa. O Grêmio perdeu Schiavi, suspenso, para esta quarta e terá que improvisar na zaga, mas ao mesmo tempo voltam Gavillán e Diego Souza.

    São poucos os remanescentes do jogo de 2005 que estarão em campo, pelo Grêmio, só Patrício. Mas mesmo assim, por um momento, teremos a ilusão de ótica de estar entrando em campo Galatto, Patrício, Domingos, Pereira, Escalona, Nunes, Sandro, Marcelo, Marcel (Anderson), Ricardinho (Lucas), Lipatin (Marcelo Oliveira). Já a torcida do Náutico, nesta mesma hora, vendo aquela camisa tricolor, vai viver um dejà vu coletivo do pesadelo de quando ousaram achar que o Grêmio estava morto.

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    Difícil achar alguma coisa sobre a batalha dos Aflitos, que já não tenha sido assistida ou ouvida centenas de vezes por um algum gremista. Então, vou deixar este vídeo, que mostra o que a torcida do Náutico tem passado na mão dos rivais depois daquilo.
    “Bem bolado, bem bolado...” diria Silvio Santos.

  10. 23/07/2007

    No fim da tempestade



    “Hoje batemos nosso recorde: vencemos sem fazer gol”. Esta frase do Mano Menezes ilustra exatamente situação de um time esgualepado, com um grupo reduzido e sem ataque mas que por um momento na tarde de ontem esteve na vice-liderança do Brasileirão.
    Os deuses do futebol estão guardando algo bem maior para o Grêmio neste campeonato, e quando querem, não há lógica que impeça.

    Haviam três períodos para o Grêmio neste Brasileirão. 1) A fase em que disputou paralelamente com a Libertadores, priorizando a Copa e deixando o time B com o nacional. 2) Fase atual pós Libertadores: abatimento pela derrota e redução do grupo, pelas propostas da Europa e pelo departamento médico onde muitos que aguentavam a maratona no osso acabaram se entregando. 3) Agosto, com a recuperação de quem estava no DM e a chegada da cavalaria dos novos reforços.

    Juntando todos os problemas da primeira e segunda parte e o fato do Grêmio historicamente só embalar da metade do campeonato em diante, mesmo quando não tem tantos problemas, a lógica seria de que hoje estivéssemos lá entre 12º e 15º lugares.
    Mas mesmo embaixo de tempestade, o Grêmio chegou quase no topo, no calcanhar de times que tiveram todo o tempo do mundo para se preparar, treinar, recuperar quem precisava com calma, uns assistindo toda, outros quase toda Libertadores pela TV.

    Chegou agosto e com ele os reforços. O período que seria para começar uma recuperação dentro do campeonato, para de repente, tentar uma vaga na pré-libertadores, se transforma numa lomba abaixo numa rodovia lisinha para um caminhão pesado, com um motorista que já subiu lombas esburacadas abaixo de chuva com o pára-brisa trincado. Azar de quem estiver na frente.

    Mas antes disto, ainda tem a volta aos Aflitos. Que sirva de reflexão para o Mano Menezes, para os poucos jogadores remanescentes daquele dia e para a torcida, de tudo que se passou desde o peitaço do Patrício até hoje. A situação que estávamos aquele dia e a situação de hoje. Respirar e dar conta de que é o momento de manter os pés no chão e aproveitar o bom momento. Com céu aberto, mas com a raça de sempre.

    E o blog segue invicto.

Cristian Bonatto, gaúcho de Sapucaia do Sul. Acadêmico de Publicidade e Propaganda na Unisinos, tendo atuado na Área de Criação do Grupo Sinos, House de Marketing das Ferramentas Gerais S/A e na Agência Inside Direct. Em 29 anos de gremismo percorreu boa parte dos rincões gaúchos, brasileiros e sulamericanos com o Grêmio onde o Grêmio estivesse. É um dos milhares de sócios tricolores que preferem entrar pelo portão 10 da Geral, alentando incondicionalmente o imortal.

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