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Vanderlei Luxemburgo

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  1. 09/11/2007

    Domingo de Libertadores



    A necessidade de vencer o São Paulo no Morumbi, com o time desmontado pelo STJD e pelas lesões, já passou do limite dos problemas que precisávamos superar para chegar à Libertadores. Quando se pensa que mais nada pode dar errado, eis que tiram da manga mais uma adversidade. Escalar um árbitro, que além de ser o mais caseiro do mundo, orgulhoso de nunca um time visitante ter vencido uma partida sua, envolvido diretamente em uma confusão acontecida a menos de 10 dias com um dos times, para apitar um jogo como este extrapola a irresponsabilidade e a falta de bom senso, já vira um deboche com a nossa cara. Mais que isso, só nomeando o Petralha como cartola emergencial do São Paulo até domingo. Vou parar por aqui para não dar idéia.

    Com todos esses problemas e apesar da necessidade de vitória, o Mano armou um esquema teoricamente defensivo, mas que surpreendeu na prática muitas vezes. Dá para entender quem acha que o comportamento do Grêmio para este jogo, deveria ser outro, dadas circunstancias. Um comportamento mais kamikaze, de time africano em Copa do Mundo: todo mundo para frente e o goleiro que se segure lá atrás. Isso resolveria o problema do sofrimento, voltaríamos de São Paulo com a vaga encaminhada ou começaríamos a segunda-feira nos preparando para a Copa do Brasil. Se estão certos ou a razão é do Mano, saberemos domingo. O certo é que algo no time teria que mudar. Deixar como está não dá.

    A declaração do Rogério Ceni ao dizer que o São Paulo de fato, quer nos tirar da Libertadores, não foi uma demonstração de medo, não existe esta palavra quando jogam Grêmio x São Paulo. Foi na verdade, uma atitude grandiosa de respeito sem a hipocrisia que reina o futebol. O São Paulo não querer o Grêmio na Libertadores é algo compreensível e aceitável. O que não se pode aceitar são outros que também não querem, não assumem e jogam sujo por baixo do pano. Assim como o São Paulo já entra favorito em competições por pontos corridos, o mesmo acontece com o Grêmio quando as coisas se decidem na cancha reta do mata-mata, pelas características de cada um. Pelo menos agora apareceu alguém reconhecendo isso.

    É um mata-mata dentro dos pontos corridos. Tanto para os interesses do Grêmio como do São Paulo. Queremos chegar lá, pois sabemos que Libertadores é a nossa cara. Eles também sabem disto e querem nos matar antes, enquanto podem. Vamos contra isto, contra tudo, contra todos e contra as adversidades, com o time desfigurado, mas com a mesma camisa tricolor azul celeste que não se entrega.

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    Eu também acredito

    O vídeo motivacional abaixo não foi feito por uma produtora, sob coordenação de algum psicólogo motivacional. Foi feito por torcedores, entregue ao Departamento de Futebol e será exibido aos jogadores. Cada um fazendo sua parte e outro passando horas editando. Essa é uma atitude de gremistas, fazer pelo Grêmio antes que o Grêmio faça por eles.



    Enquanto isso, outras torcidas jogam pipoca nos seus jogadores.

  2. 09/11/2007

    Sessão da Tarde



    Não é na Sessão da Tarde da Globo, mas ainda hoje Eduardo Costa, Tcheco e o Atlético Paranaense serão julgados no STJD pelos incidentes da meia-arena. Tcheco, de qualquer forma está lesionado. O que seria cômico se não fosse trágico é o julgamento do Eduardo Costa, sem provas. Baseado no relato de um repórter paranaense, o jogador será julgado em uma comissão presidida por uma auditora que tem seu pré-julgamento quanto ao Grêmio definido e que, além disto, segundo o que circula na internet, é esposa de um torcedor do Atlético Paranaense, que também é auditor do STJD.

    Quem ainda tiver estômago para uma coisa destas, pode acompanhar a Sessão da Tarde do STJD neste link.

  3. 07/11/2007

    As Perdas e o Processo


    O jogo contra o São Paulo deveria ser o confronto dos postulantes ao título na reta final do Brasileirão, o segundo melhor da América, contra o que se recuperou com mais eficiência da eliminação nas oitavas da Libertadores. Mas não será. O Grêmio passou o campeonato inteiro perdendo peças importantes e esperando pelo dinheiro delas para trazer reposições à altura. O dinheiro ainda não veio e está aí a diferença entre os times que se enfrentam no domingo. Alguém acredita que o São Paulo teria disparado desta forma se ainda tivéssemos Lucas, Carlos Eduardo e Lúcio no time?

    Para completar fomos perdendo jogadores ocasionalmente, justa ou injustamente pelas mãos do STJD, que terá nesta semana a chance de colocar a cereja no bolo, pedir a saideira e considerar um sucesso a sua parte na operação anti-Grêmio. Pelas mãos do STJD, Eduardo Costa será a ausência mais importante, até porque o Grêmio teve que aprender na marra a não depender o Tcheco pelas suas lesões e suspensões. Ah! mas podem ser absolvidos. Podem, mas com uma auditora que tem um pré-conceito definido quanto ao Grêmio como presidente da comissão, será um julgamento tão isento quanto Bush julgando Hugo Chavez ou vice-versa.

    Aliás, a declaração do Eduardo Costa de que vai ser julgado e não sabe até agora o motivo, me lembrou o livro “O Processo”, onde Kafka narra a história do Bancário Joseph K, que certa manhã, é retirado da cama, preso e julgado por motivos que ignora, perdido em um sistema judiciário alternativo, corrupto e enigmático. É a dica de leitura para o Eduardo Costa na viagem.




    Mas a ausência mais sentida para o duelo de domingo está no gol. Sebastian Saja vinha escondendo uma lesão desde o começo do ano, agüentou no tendão ao invés do osso para ajudar o Grêmio, mas teve seu limite no último domingo. O tendão esperou Saja finalmente marcar seu primeiro gol com a camisa do Grêmio, mas disse chega no início do segundo tempo. Está aí também a explicação da falha no primeiro gol do Figueirense, que ninguém tinha entendido.

    A história do Grêmio passa por goleiros identificados com a torcida e isto o gringo tem de sobra. Os pouquíssimos que desconfiam dele o fazem por um motivo compreensível: ele desbancou Galatto, que simplesmente pegou um pênalti com o Grêmio jogando com sete jogadores e assim como Neil Armstrong pisando na lua, não precisará fazer mais nada na vida para estar na história.

    Esta desconfiança só se justifica neste motivo, mas não se confirma tecnicamente. Saja melhorou muito sua saída do gol desde que chegou ao Grêmio, algo que era um defeito transformou em uma de suas virtudes. Também sabe sair jogando, faz lançamentos ao invés de dar balão para frente. Além disto tem reflexo e calma, tanto para fazer milagres em chutes de cima quanto para dar o bote na hora certa em um atacante entrando sozinho. Sem falar que é batedor de pênalti, acostumado no San Lorenzo, com 12 gols na carreira e finalmente liberado para cobrar no Grêmio.

    A ironia é que na sua ausência, não será Galatto seu substituto e sim, Marcelo Grohe, que terá uma chance de ouro nas mãos, para se firmar no time titular. No mínimo até o início da Libertadores.

    Sim! Libertadores.

    Fotomontagem com imagens de sebastiansaja.com.ar

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    Contato com o blog: gremismo@gmail.com
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    Só para lembrar: a regra de tolerância zero à corneta vale até o fim do Brasileiro. Ofensas ao time ou a qualquer jogador, não serão aprovadas nos comentários. Isto comprovadamente não ajuda, muito menos nesta hora.

  4. 05/11/2007

    Essa nossa esperança crônica



    O Grêmio tem um time limitado. Médio, não é melhor nem pior que os outros clubes que disputam vaga a Liberadores, isso até o mais cego pela paixão consegue enxergar. Mesmo assim este time insiste em nos criar expectativas. Vence fácil os Grenais, Conquista os gauchões, se classifica à Libertadores, chega á final da América. Mesmo estando longe de ser um time estável nos faz acreditar sempre que dá. Nunca soubemos exatamente o porquê: se pela força da camisa, pela tradição, se pelos braços da torcida ou se pelo técnico. Temos nosso limite, a droga é que este limite é sempre “quase lá”. A Sulamericana está sendo disputada a tapa por muito time grande. Times que não criaram expectativas para suas torcidas. Estão tranqüilos, o que vier vem bem.

    Mas para quem ficou entrando e saindo da zona da Libertadores desde que pode se dedicar ao brasileiro, fica sendo um prêmio amargo. Não tem tu, vai tu mesmo. O pior é que sabemos desta chantagem emocional, temos três jogos, temos que vencer os três, mas vamos acreditar até o fim, até quando a matemática e o time nos der esperanças. Parece até que os outros disputantes da vaga participam desta trama e insistem em tropeçar, nos deixando apesar de tudo, a um ponto da zona. Terminar o campeonato em quinto, a um ponto do objetivo vai ser duro. Imagine então terminar empatado em pontos e perder no saldo de gols.

    Minhas desculpas a quem esperava encontrar neste hoje neste blog, algo que fosse melhorar a segunda-feira. Desculpe também quem esperava a crucificação de alguém, isto pode se encontrar facilmente em outros blogs, nas colunas, nos comentários, nos noticiários. Vou ficar aqui com a esperança e a razão brigando a facão na minha cabeça.

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    Não vou criticar quem preferiu passar o feriado na praia, cada um tem seus motivos e prioridades. Mas quem poderia ter ido ao Olímpico, em um sábado, horário de verão em início de mês e não foi, seja coerente com sua omissão e também não venha criticar agora.

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    Força Saja. O goleiro que vinha operando um milagre por jogo teve o seu mau momento. Justamente no dia em que marcou seu 12º gol e o primeiro pelo Grêmio, viu a bola escapar de suas mãos e ainda sair com uma lesão complicada de campo. Quem nunca falhou que tenha coragem e ingratidão para jogar a primeira pedra.

  5. 02/11/2007

    Temos mais o que fazer



    “A vaga só vem se você vier”. É a chamada do site oficial para o jogo de amanhã. A penúltima chance de fazermos a diferença mais uma vez. Jogo no sábado, nas atuais circunstâncias, melhor do que no domingo. O jogo contra o Figueirense em casa ganha ares de terapia. Oportunidade perfeita para a torcida assumir as rédeas da situação, equilibrar a situação e dizer. “Deixem com a gente”.

    Quem vai ficar lembrando do jogo de quarta é a turma do Petralha. Para eles, esta rodada serve apenas para colocar as faixas do título de ter vencido o Grêmio. Quem fica lembrando de desafeto pela eternidade é encosto. Nós estamos vivos, bem vivos e o complemento da rodada de ontem mostrou que alguém com muita influência anda mexendo os pauzinhos lá em cima. Quem disse que não temos nosso STJD?

    Tudo estava relativamente muito bem encaminhado até o jogo contra o Atlético (estou falando do tradicional), até em pré-temporada se falava no Olímpico. As coisas não são assim para o Grêmio. No Pain, No Gain. Este é o ano das coisas serem conquistadas sob adversidades. Foi assim no Gauchão, tudo sob controle até precisar de uma goleada. Também na primeira fase da Libertadores, líder até tropeçar no Cucuta e embolar o Grupo. Contra o Defensor, que não era nenhum grande clube até precisarmos tirar uma vantagem de dois gols e só vencer nos pênaltis.

    Talvez o que estivesse faltando para o Grêmio alcançar o objetivo da Libertadores em meio a um monótono campeonato de pontos corridos, fosse mesmo uma adversidade. Elas foram criadas, justamente para que tudo aconteça como tem que acontecer para o Grêmio. Esta é a hora que a imortalidade tanto fica esperando, para entrar em campo, quando todos já começam a se perguntar por onde ela anda.

    Todos ao Olímpico. Contra tudo e contra todos.

  6. 01/11/2007

    Meia-comédia num meio-circo





    Vou reclamar com a operadora de TV a cabo. Comprei o pacote do Brasileirão, mas ontem no horário do jogo do Grêmio entrou no ar um show de comédia pastelão em um circo de Curitiba:

    Um juiz trapalhão e não muito corajoso interpretava um juiz trapalhão e não muito corajoso. O juiz gostava de alegrar a platéia e se orgulhava de nunca um time visitante ter vencido uma de suas partidas. O jogo era sério para um dos times, que multi-campeão, estava brigando por uma vaga na competição continental. Enquanto o outro time, sem perspectivas ou uma tradição a zelar, se contentava em vencer o primeiro.

    Este time jogava em seu meio-circo contando com sua platéia fiel em seu meio-estádio. Nosso personagem principal, vestido de juiz trapalhão e não muito corajoso percebeu que a platéia queria a cabeça de um jogador do time visitante, pois esta o vaiava e o chamava de feio, bobo, chato e cabeça de repolho. Resolveu então, animar a festa.

    Teve sua primeira oportunidade em um lance onde a bola saiu em escanteio, ao invés de marcar, puxou um cartão amarelo como sua roupa para o algoz da platéia local, que aplaudiu de pé. O juiz amarelo se empolgou com aquela demonstração de cumplicidade recíproca com o público e tirou um cartão vermelho, o qual mostrou com uma engraçada desenvoltura enquanto gritava: “It’s Show Time!!!”. Alegria geral nas arquibancadas e o futebol já não importava, afinal o time visitante jogava melhor e mesmo levando um gol o empate e a virada eram cada vez mais eminentes.

    Tudo correu de acordo com o script, o time visitante não tinha viajado até ali para participar de um espetáculo circense e não eram palhaços, eram homens e não tinham sangue de barata. Concentração já não existia e levaram o segundo gol para alegria geral dos atores e público. O show de palhaçadas continuou até o final. As cortinas se fecharam, abriram de novo e mostraram o Juiz trapalhão e sem muita coragem, seus dois assistentes de palco e mais os onze coadjuvantes locais de mãos dadas para o alto cumprimentando a público que aplaudia em pé.

    Ainda havia uma piada na manga, reservada como surpresa para um gran-finale, um dos atores, dispensado por deficiência técnica até do outro time da cidade do visitante anunciava: “Dei quatro chapeuzinhos, sou jogador de seleção, foi um chocolate”. Aí foi demais, desta vez eu tive que rir. O Eduardo Costa não riu e deu fim ao espetáculo autografando as paletas do fanfarrão com sua chuteira.


    Episódio Tcheco:
    Versão Conspiratória Vs. Versão Ingênua.


    Não lembro se foi em O Príncipe Machiavel, ou em Arte da Guerra que li uma passagem sobre como armar uma emboscada a um inimigo em um estádio de futebol sem ser visto. Dizia que para planejar uma emboscada a um inimigo sem deixar provas, em um ambiente cheio de testemunhas deve–se planejar uma situação para pegar ele sozinho. Primeiro precisaria fazer o inimigo ter que sair antes de todo mundo e sozinho para o vestiário, esta é a parte mais difícil, mas pode ser feita de duas formas: Criar um clima que leve um árbitro altamente influenciável de histórico caseiro a expulsar o alvo, ou usar de métodos ilícitos mais garantidos para ter certeza que em determinado horário, está expulsão ocorra de acordo com o plano. Feito isso é só esperar o inimigo passar sozinho no corredor de acesso aos vestiários. Caso não se garanta, arrume uma meia dúzia de capangas.

    Foi isto que aconteceu ontem na meia-arena? Claro que não, Não sou tão conspiracionista de supor uma coisa destas. Eu acredito piamente que o Sr. Patralha Estava passeando por aquele corredor tranquilamente, assoviando ou conversando com as plantinhas nos vasos, alheio a tudo que acontecia no gramado quando avistou uma besta-fera se aproximando, ingenuamente e sem maldade no coração, resolveu cumprimentar aquele rapaz, “não está uma noite maravilhosa”. Quando a besta-fera o atacou, o insultou e ainda pisou nas suas plantinhas. Felizmente, uns rapazes de boa índole que passavam pelo local, vindos da igreja, lutaram contra a besta-fera e salvaram aquele bom senhor.


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    POLÍTICA DE COMENTÁRIOS:
    Já é política do blog não aceitar comentários de torcedores de outros times. Podem me chamar de censor, ditador, antidemocrático, etc. O nome do blog já explica: BLOG DO TORCEDOR DO GRÊMIO, portanto aqui, comentários de Torcedores do Grêmio. Se alguém deixa o vizinho entrar em sua casa, para falar mal de sua família e de seus amigos, Eu não. Há exceções, quase todo tópico tem algum comentário visitante, que contribui com o assunto tratado, com educação e respeito que o primeiro do ranking da CBF exige. Mas é raro.
    NOVIDADE: Até o final do campeonato, também não serão aceitos comentários oportunistas e corneteiros. Por vários motivos: 1) Não é hora para isso (se é que existe hora para isso). 2) Apoio incondicional ao time em um momento decisivo. 3) A “criatividade” de torcedores de outros clubes que para tentarem ter o comentário aprovado se passam por gremistas. É manjado, mas tem comentário de gremista “verdadeiro” que até supera. Claro que a crítica não vai ser cerceada, mas crítica gratuita ou ofensiva aos jogadores e comissão técnica, podem ser feitas diretamente à ouvidoria do Grêmio. Que cada um faça a sua parte. Estou fazendo a minha.

  7. 29/10/2007

    O camisa 100



    Ouvi de uma amiga que é vizinha de prédio do Sandro. Em vésperas de jogos decisivos ele costuma recolher bilhetes de incentivo grudados na parede de sua vaga no estacionamento. Escritos em letras características de gremistas-vizinhos todas as idades. Ontem ele deve ter recolhido mais alguns quando chegou em casa, desta vez de agradecimento.

    A homenagem ao Sandro pelo centésimo jogo com a camisa do Grêmio foi um dos momentos mais marcantes que já vi no Olímpico. Já havia recebido a camisa 100 no vestiário, já havia sido cumprimentado pelos companheiros, já havia sido saudado no sistema de som, mas quando o estádio inteiro "cantou" seu nome a lá guantanamera, ele quase nem conseguiu saudar. De longe, só consegui ver ele levando a mão ao rosto.

    Valeu Sandro, 100 vezes.

  8. 29/10/2007

    Nada será como costuma ser



    Como de costume, desde que me mudei para Porto Alegre, fui ao Olímpico a pé. Desta vez sem a companhia da patroa, só minha cerveja e uma música do Matanza martelando na cabeça sem eu saber o porquê, “Nada será como costuma ser, nada vai ser fácil pra você”. Era um sinal, só iria entender depois. Tudo veio a ser absurdo. O Grêmio fazendo quatro gols em um jogo, o Grêmio levando três gols no Olímpico.

    O Náutico não é um dos grandes do futebol brasileiro, nunca conquistou um título fora do Pernambuco e não me lembro de tê-lo visto jogar fora do país, mas está na história do Grêmio, queiramos ou não. Estando nesta condição, o Náutico se acha no direito de, agora em diante, eternamente dificultar as coisas para nós. De fato, foi o pior adversário que tivemos no Olímpico neste campeonato Brasileiro. Só o São Paulo venceu nosso time principal aqui e mesmo assim, jogando muito menos que o Náutico jogou ontem.

    Meu palpite no bolão que rola entre os blogueiros do Globo Esporte foi de 4x2 para nós. O Náutico está acostumado a fazer gol fora de casa e com freqüência, mais de um. Começaram cedo, queriam marcar logo, insistiram e conseguiram. Onildo não teve acompanhamento de ninguém e entrou livre para cabecear. Como no jogo contra o Goiás, a torcida imediatamente cantou mais alto, o time entendeu, e assim, fica difícil para o adversário manter o resultado.

    A blitz desta vez foi do Grêmio. Tuta fazendo a função de segundo atacante, manda na área. Não era seu trabalho e era para ser um cruzamento. Mas “nada seria como costuma ser” mesmo. Na seqüência, a virada num gol marca Grêmio, pressão, bola não querendo entrar, na trave, rebote e gol. Marcel, nossos dois atacantes marcando com 20 minutos de jogo (Nada será como costuma ser...). Para completar, aos 42 minutos, Diego Souza sobe no quinto andar para ampliar. Três gols do Grêmio num primeiro tempo?

    Tudo se tornou estranhamente fácil, então o bandeirinha, uma espécie de professor Girafales careca, resolveu dar aquela mão, para garantir mais emoção no segundo tempo. Não viu o múltiplo impedimento no gol do Acosta e o Timbú descontou. No segundo tempo, ainda no bar, ouço a torcida inesperadamente cantar mais alto de novo, era o empate do Náutico (...Nada vai ser fácil pra você). Tudo voltou a ser como de costume por 25 minutos, até que Marcel entra de cabeça no cruzamento do Marreta e faz seu segundo gol no jogo.

    Agora, no Paraná, é torcer para que as coisas também não sejam como costumam ser neste campeonato, e finalmente busquemos os três pontos fora que precisamos para se garantir na Libertadores. Torcida não vai faltar, muita gente falava em estar presente na Arena no jogo de ontem, mas por ser meio de semana a invasão do RS ao PR fica comprometida. Gremistas do Paraná e Santa Catarina: Vocês têm uma missão.

  9. 25/10/2007

    Salvem os centroavantes



    Quando não se encontra uma resposta científica para qualquer grande mistério da humanidade, nascem as teorias, isso vale tanto para o triangulo das bermudas como para a falta de gols do ataque do Grêmio. Nas entrelinhas da frase óbvia e aparentemente superficial do Tuta “Na área eu me garanto”, está a chave para a resposta deste mistério (não o do triangulo das bermudas). Quem mais no grupo atual do Grêmio poderia bater no peito e dizer isto? Só o Tuta mesmo. Por ser craque? Claro que não, longe disto, mas por característica de jogo. Por ser uma peça em extinção no futebol, por ser centroavante.

    Agora pegue esta frase e coloque na boca do Jardel, do André Catimba, do Bugre Alcindo, do Baltazar, do Tarciso, do Lima. Combina, não combina? Tuta não é nenhum destes, o respeito impede comparar estas lendas com qualquer outro que apareça. O que o Tuta tem em comum com eles é a carteira assinada como “Centroavante”. Não atacante, ou meia-atacante. Centroavante. Peça importante e clássica que o futebol moderno está matando, assim como o CNC está extinguiu os torneiros.

    Não tivemos chances, desde a chegada do Tuta, de dizer com certeza que ele é um bom ou mau centroavante, se está em fim de carreira, se está fora do peso (a história é álibi de centroavantes experientes e fora do peso) ou se a culpa é do chiclete, pois o Grêmio ainda não tem um padrão de jogo adequado para se jogar com centroavante, seja ele o Tuta ou qualquer outro. Lembram-se da fórmula “Arce > Paulo Nunes > Jardel > Abraço”, às vezes simplificada para “Arce > Jardel > Abraço”? O que seria do Jardel e do abraço sem ela?

    O Grêmio nem precisa ter um padrão de jogo baseado nisto, o futebol tem que ser dinâmico, mas precisa ao menos uma opção de jogada pensada, arquitetada e treinada com o homem de área, seja como arma principal ou como elemento surpresa. Ou então que abandonemos de vez a função de centroavante, renegando toda a nossa história para nos render de vez ao chato futebol moderno. São duas opções, só não dá para ficar em cima do muro, senão vamos ficar eternamente trocando de torneira ao invés de desentupir o encanamento.

  10. 24/10/2007

    E como está a tua atuação?



    Desde que a torcida do Grêmio resolveu abandonar a influência do modelo brasileiro de torcida de escanteio, dando voz ao instinto castelhano que estava guardado há anos pelas raízes, assumimos a condição de verdadeiro décimo segundo jogador. Diferente de outras torcidas que também se autodenominam assim, mas não passam de um décimo segundo que fica o tempo todo aquecendo atrás do gol, a torcida do Grêmio quando quer, só não assina a súmula, mas entra em campo.

    Isso não é novidade e pode até cair na banalidade de tanto que é falado até aqui mesmo neste blog, nos chamamentos à torcida e até mesmo expressado em forma de gráfico. É aí que vem a questão a ser discutida. Assumindo esta condição de jogador do Grêmio ela passa a ter responsabilidades como tal, podendo ser inclusive corneteada também?

    Se chegarmos à conclusão que sim, poderíamos dizer que nossa atuação no Campeonato Brasileiro é boa, ainda superior a das demais torcidas em seus estádios, mas longe de ser aquela atuação da Libertadores, onde o Olímpico foi transformado num inferno azul preto e branco, deixando os adversários zonzos dentro de campo.

    Sim, temos um ótimo aproveitamento dentro de casa, mas não perdemos pontos importantes aqui também? Pontos que estão fazendo falta num campeonato onde somente um time tem um aproveitamento melhor fora, os outros todos se nivelam em no máximo cinco ou seis vitórias na casa do adversário.

    Me lembro de um leitor que andou me criticando pelo excesso da palavra “alento” neste blog. Será que nosso alento está banalizado? Será que relaxamos de cantar mais alto na cancha imaginando que o cara do lado está alentando e este na verdade está imaginando a mesma coisa? Será que estamos contado estes três jogos em casa como vitórias certas ao natural?

    Vejam bem, usei a interrogação várias vezes neste texto, pouca coisa foi afirmada, justamente para que o assunto e atuação de cada um de nós “dentro de campo” seja refletida. Quem tem consciência tranqüila e certeza absoluta que fez sua parte quando foi aos jogos ao Olímpico, ignore este texto e parabéns. Se não tem certeza, este é o momento para retomarmos nossa atuação da Libertadores, da Série B e do Brasileirão do ano passado. Estas três vitórias necessárias em casa não vão vir por decreto.

    Está mais do que na hora de cuspirmos fora os “nossos” chicletes também.

Cristian Bonatto, gaúcho de Sapucaia do Sul. Acadêmico de Publicidade e Propaganda na Unisinos, tendo atuado na Área de Criação do Grupo Sinos, House de Marketing das Ferramentas Gerais S/A e na Agência Inside Direct. Em 29 anos de gremismo percorreu boa parte dos rincões gaúchos, brasileiros e sulamericanos com o Grêmio onde o Grêmio estivesse. É um dos milhares de sócios tricolores que preferem entrar pelo portão 10 da Geral, alentando incondicionalmente o imortal.

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