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Vanderlei Luxemburgo

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  1. 21/01/2008

    Prudência e Caldo de Galinha



    Vencer na estréia do Gauchão sempre será uma obrigação, o Grêmio entrou em campo sábado sabendo disto e tendo em mente que a necessidade, além disto, era outra. Buscar tranqüilidade até que mais reforços de qualidade cheguem. Na estréia do ano passado, tínhamos uma base do ano anterior muito melhor, o técnico era o mesmo e as novas contratações tinham mais respeito do torcedor. O resultado foi um magro 1x0 no Zequinha em Cidreira, abaixo de chuva. A estréia no Olímpico em 2007, contra o mesmo adversário de sábado rende uma comparação mais coerente: 4x0 e 3x0 respectivamente contra o time de Campo Bom. A diferença era que o time do ano passado tinha a cabeça nos Libertadores e o time do Mancini estava apresentando á torcida o tipo de Grêmio teremos a partir de agora.

    Missão cumprida, embora ainda muito cedo para se empolgar e mais cedo ainda para desconfiar, algumas características de jogo do Grêmio puderam ser apresentadas. Vimos um Grêmio mais compacto e mais veloz, buscando trabalhar mais a bola e acertando bem mais passes do que se espera de um time todo novo com quinze dias de trabalho. Alguns jogadores ainda estão visivelmente fora de forma. Paulo Sérgio mostrou uma determinação até comovente, mas só isso. Reinaldo era outro que pareceu meio perdido no meio da correria do Grêmio.

    Se o preparo físico é a desculpa, então Anderson é a contradição. O jogador que se apresentou mais fora de forma, não deu bola para as arriadas dos colegas, desconfiança da imprensa e para o nariz torcido da torcida, baixou a cabeça e foi puxar uns carrinhos de mão. Não interessa o que o guri andou fazendo nas férias. Nos interessa o golaço marcado e o pataço que resultou no gol do Léo. O melhor cartão de visitas sem dúvidas foi do André Luiz, sob a desconfiança de não ter apresentado quase nada na Copa Amorety pelo Caxias, mostrou que estava guardando algo melhor para estréia no Grêmio. Nos deu velocidade, técnica e entrega e recebeu os aplausos da torcida. Tendo cabeça para interpretar isso como um apoio para que o bom futebol continue, o nome será cantado com mais freqüência.

    Agora, o meu conterrâneo Sapucaiense. O caçula do campeonato apesar de inexperiente é abusado, tem gana, velocidade e um técnico que vale a pena prestar atenção. Mandará a partida de quarta e todas as outras do campeonato no lendário Cristo Rei em São Leopoldo. Um Grêmio em fase de entrosamento e com algumas peças ainda fora de forma, tem que ter todo cuidado com essa incógnita.

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    Apesar da eliminação contra o São Paulo, a gurizada do Grêmio nos deu algo mais valioso que o título inédito que, claro, queríamos sim. Nos deu o que mais interessava: a impressão clara que a lógica de fazer os próprios craques continua viva no Olímpico. Muitos deveriam ser recebidos no aeroporto, não como eliminados da Taça São Paulo, mas como reforços.

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    Um alento de esperança para ainda acreditar na contratação de Souza. Foi possível ler nas entrelinhas das palavras do jogador na entrevista coletiva do São Paulo que ele considera a proposta do Grêmio muito superior e que para ficar no Morumbi, terá que conversar sobre aumento. O detalhe é que por lá, pedidos de aumento são encarados praticamente como uma ofensa.

  2. 18/01/2008

    Começa o bochincho


    "É china que se escabela,
    Redemoinhando na porta
    E chiru da guampa torta
    Que vem direito à janela,
    Gritando - de toda guela,
    Num berreiro alucinante,
    Índio que não se garante,
    Vendo sangue - se apavora
    E se manda - campo fora,
    Levando tudo por diante!"

    Bochincho - Jayme Caetano Braun

    Começa neste fim de semana o Gauchão. O mais Sul-americano dos estaduais, um campeonato que deveria figurar não no calendário da CBF e sim, no da Conmebol. Não necessariamente por questões separatistas e sim pelas suas peculiaridades históricas, sociológicas e até mesmo antropológicas. Campeonato pra peão que se garante. Terror dos Guasca de Fora, que já chegam sabendo se tratar de “um campeonato de muita pegada” e se surpreendem depois, vendo que esta expressão não retrata nem de perto o que é de fato o Gauchão.

    Gauchão é jogo no barro ou na neve, no sol ou na chuva. Em campos pequenos com a torcida puxando a camisa de quem vai cobrar lateral, ameaçando de facão o jogador adversário que vai cobrar escanteio. Gauchão é campeonato onde muitas partidas ainda são decididas pelos árbitros de acordo com a pressão da torcida no alambrado e das condições de sair do estádio.

    Definitivamente não é um campeonato para os valdívias, kerlons e nilmares da vida por questões de integridade física, mas é uma boa oportunidade para testar a vontade de recuperação e entrega em campo de um cara como o Roger. Uma competição onde a condição de campeão do mundo, por exemplo, não diz nada. Põe se á prova os colhões de um time em Veranópolis e não em Yokohama.

    Pelo terceiro ano seguido o Grêmio entra em campo sem a condição de favoritismo e as últimas edições provaram que quanto menos este favoritismo é destinado ao Grêmio no início da competição, mais irretocável e soberana é a conquista tricolor ao seu final. A caminhada começa contra o imprevisível 15 de novembro, que desmonta o time ao final de cada edição do Gauchão para remontar na edição seguinte, quando se abre as cortinas nunca se sabe o que vai sair dali, um time para chegar as finais ou ser rebaixado. Sem meio termo.

    O Grêmio entra em campo no Olímpico com um time longe de ser aquele que vai buscar o Penta da Copa do Brasil. Tem muita gente para entrar neste time e o entrosamento do pessoal é quase nulo. Essa necessidade de apoio do torcedor mais a larica de futebol que assola a maioria de nós deve garantir um publico pelo menos razoável para uma época de veraneio.

    Que se iniciem as peleias.
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    Gurizada Imortal

    A imortalidade fez a diferença também para a gurizada na Taça São Paulo. Ponte Preta saindo na frente, virada tricolor, expulsão do goleiro e pênalti contra o Grêmio nos minutos finais. Decisão nos tiros livres com nosso goleiro reserva garantindo a classificação. Agora é esperar São Paulo ou Fluminense nas quartas-de-final. Valeu Matheus, Thiago, Marcus Vinicius, Inácio, Marçal, Rafael Carioca, Dhiego (Fernando), Maylson, Roberson (Michel), Jhonatan e Paulinho (Juninho).

  3. 16/01/2008

    Roger na teoria X Roger na prática





    De tanto a torcida pedir um jogador de nome, Roger desembarcou em Porto Alegre nesta tarde. Não tem como encarar de forma diferente a contratação de um jogador, na teoria, tão incompatível com as características valorizadas pelo torcedor gremista. Na teoria também está o seu futebol altamente técnico e de grande capacidade ofensiva. O problema é a prática que vimos no ano passado.

    O Roger como celebridade é um notável pegador. Como jogador, a pegada que a torcida vai cobrar é outra. O meia vai sentir um choque térmico de uma torcida escaldada pelos episódios Léo Lima e Amoroso, que por bem menos peripécias que as conhecidas de Roger foram apresentados á porta de saída. Se por aqui as coisas são duras para a turma do chinelinho, por outro lado o Grêmio costuma ser a redenção de quem chega disposto a mudar esta imagem. Se o Roger colocar isto na cabeça, a direção deixar bem claro como são as coisas por essas bandas e a torcida tiver paciência, aí sim, teremos muitas alegrias e teremos recuperado mais um jogador como aconteceu com Diego Souza (só que este acabou voltando ás drogas esta semana, infelizmente).

    Na apresentação, Roger declarou que chega ao Grêmio num momento diferente da sua carreira, um momento de retomada do seu futebol e não com festa no aeroporto. Sabe que chega com desconfiança da torcida. Mais uma vez, na teoria, isso é muito bom.

    Então ta Roger, combinamos assim. O que saiu de ti na imprensa esportiva ou na Tititi não nos interessa mais. Terá todo apoio dentro de campo e tranqüilidade para trabalhar, uma benção que só jogadores do Grêmio sabem o que é. Em troca tu nos garante que o chinelo fica no Rio de Janeiro. A Débora Secco não. Essa pode vir junto.

  4. 11/01/2008

    Quem é vivo...



    Peço desculpas aos leitores pela falta de uma plaquinha de férias. Para uns ela fez falta, outros não precisam de nada desenhado. Quando o cara se propõe a manter um blog em serviço voluntário uma das vantagens é que se pode entrar em férias no momento que se bem entende por ideal. Hoje fui dar uma olhada nos comentários postados tem mais gente exigindo atualização do que comentando sobre futebol. Elementar, a última contratação importante foi justamente a comentada aqui na última vez que apareci.

    Não fui só eu que entrei de férias, foram também os fatos do Grêmio. O assunto mais importante, a novela do Diego Souza continua, admito que já troquei de canal de tão chata que ficou. Era só o Grêmio ter pago o que está querendo pagar hoje, até o último dia 31 que estava tudo resolvido e a cabeça da direção estaria liberada para pensar em outros reforços.

    No mais, se eu não estivesse de férias, teria entrado na onda das especulações. Teria comentado aqui sobre D’alessandro, Recoba, De Souza, Souza, Hugo, Renato, Alex Silva, Sóbis, Gallardo, Cavenaghi e até no Rivaldo e teria queimado a língua umas 10 vezes.

    Poderia ter também ter utilizado o tempo que passei tomando cerveja e curtindo as férias escolares da minha filha para me juntar ao pessoal mais panfletário que está ameaçando se desligar do quadro social, atear fogo ao corpo em frente à ouvidoria e chamar o pai para pegar o Pelaipe. A causa para isso é justa, pena que esse pessoal gastou toda a sua credibilidade lá no começo do ano quando chamou o Diego de gordo e o Lucio de refugo do Palmeiras. De lambuja acabaram dando argumento para se justificar a falta de contratações de qualidade.

    Talvez tivesse feito algum comentário sobre o time do Porto Alegre (era assim que estava escrito na tela da transmissão árabe), que venceu um torneio do tipo que o Grêmio tem algumas dezenas no armário. Não comentaria a importância histórica nula da pelada de fim de ano, mas sim a engraçada ejaculação precoce coletiva que ela acabou causando em 40% dos gaúchos.

    Outra opção seria enaltecer a campanha da gurizada tricolor na Copinha, aqueles lá estão fazendo por merecer. Digo ainda que não seria nada bom para o Mancini arrumar um jogo-treino do nosso time titular atual, que está na Serra, contra os nossos aspiras.

    Depois desta reflexão sobre os assuntos que deixei de comentar durante as minhas férias, tomei uma decisão. Buscar mais cerveja e continuar a maratona Discovery Kids com a bambina.

    Boas férias e bom retorno.

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    Sigo em ritmo de férias pelo menos até o Gauchão ou no surgimento de algo relevante, mas prometo ser mais freqüente na aprovação dos comentários até lá. Um abraço e meu agradecimento aos que resolverem me compreender. Aos demais, que quiserem continuar cobrando atualização, posso passar o número da minha conta e a gente se acerta.


  5. 28/12/2007

    Apagando os refletores de 2007



    Se lançassem um serviço de atualização minuto-a-minuto do andamento das negociações no Olímpico, este seria o site mais visitado da web durante esses meses sem futebol, tamanho a aflição do torcedor gremista na busca por informações. Na verdade não há nada de novo nesta cautela toda da direção, foi assim também nos últimos dois anos. No final das contas, o custo/benefício tem sido favorável. O estorvo da situação são os especuladores e empresários que plantam informações na imprensa para garantir umas manchetes para seus produtos jogadores. Isso tem um lado ruim e outro pior. Se o especulado é um desconhecido, já surgem os primeiros protestos se o cara tem nome o pessoal já vai se empolgando com a utópica contratação de alguém que é titular na Europa. Não é fácil para a torcida, não é fácil para os dirigentes, mas é ótimo para a imprensa e para os empresários.

    Perea é o primeiro nome confirmado nesta fase de busca por titulares (em tese) absolutos. Parece que de fato a direção de fato buscou informações sobre Cavenaghi, titular absoluto no Bordeaux, levou um susto mas acabou descobrindo um colombiano com as características que o Mancini pediu: alto e veloz. Perea é convocado para a seleção colombiana desde 2005. Até podemos tê-lo visto jogando, mas não se conhece ninguém que tenha prestado atenção a ponto de se lembrar. De qualquer forma: pra dentro deles Perea!



    As novelas, porém continuam. O esforço para contratar Diego Souza é evidente. A proposta de € 3 milhões foi recusada. Uma última proposta será feita, caso não haja um acordo os portugueses poderão receber uma sugestão para ir pastar. Outro vem-não-vem que já está enchendo o saco é com relação à Souza. O jogador quer vir e salário já está acertado, mas parece que o Murici ficou com um pé atrás em liberá-lo depois que o Adriano já começou a mostrar suas prioridades. O maior mistério é com Soares, dada como certa todos os dias á quase um mês, a contratação ainda não foi concretizada. Ninguém consegue entender qual a dúvida do Fluminense em liberar o jogador com tantos atacantes chegando às Laranjeiras. Cada louco com suas manias.

    Um Feliz Ano Novo. Um 2008 melhor que 2007. Com visitas mais freqüentes à Goethe, a República, a praça, avenida ou bar tradicional na tua cidade. Aqueles lugares que sempre freqüentados por gremistas e muito de vez em quando por outros.

  6. 20/12/2007

    Cobertor curto



    Como montar equipes competitivas sem gastar muito. Parece nome de palestra, mas é o norte da direção do Grêmio. Por aqui, nunca fomos de entrar em leilão por jogadores nem cometer loucuras e este cuidado tem sido mais freqüente em uma época que a ordem é arrumar a casa para e o terreno para um objetivo grande e duradouro. Se essa mão fechada de agora significar chegar por 2011 sem dívidas (o que significa crédito e risco zero de penhoras) e com um novo estádio rentável (o que significa receita), se justificará plenamente e seremos recompensados por muitos anos. Não que se tenha ouvido essa teoria da boca da direção, mas é o que gostaríamos de crer.

    Só uma coisa não está fechando nesta lógica. Quando se quer montar um time competitivo e barato, dispensam-se os que têm propostas indisputáveis, os que pedem alto para renovar, os que já deram o que tinham que dar e precisam de novos ares e os que não interessam mais dentro da filosofia de um novo técnico. No mais, busca se manter o que deu certo para se ter uma base sólida e entrosada na próxima temporada.

    Não se tem muita notícia de bastidores, não sabemos muito do que se passa na sala da presidência quando boleiros, empresários e direção se reúnem. Por isso a dispensa de alguns e a pouca vontade na renovação com outros deixam a torcida com um enorme ponto de interrogação na cabeça. Ainda mais quando estes jogadores revelam publicamente a vontade de permanecer no clube (partindo-se do princípio de que o que dizem nos microfones é o mesmo que dizem para seus procuradores). Vamos a alguns casos mais intrigantes:

    Gavilán – Jogar no Grêmio foi um upgrade na carreira do paraguaio. Primeiro sofreu com os corneteiros, deixou a mão falando com eles e foi fazer o seu serviço. Impecável na Libertadores. No brasileirão teve vários problemas que conspiraram contra uma seqüência de jogos. Lesão, convocações, expulsões, punições e a cota de estrangeiros. Quando driblava isto tudo, parava em algum misterioso critério do Mano, que foi embora sem explicar qual era. Com o apoio total da torcida (agora), uma nova filosofia dentro do vestiário, saída de outros gringos e recuperado fisicamente, seriam quatro problemas a menos. Convocações em plena eliminatória para a Copa ainda seria um problema, mas que todo time grande da América do Sul terá em 2008. O Grêmio bota fora um baita lateral e um baita volante na mesma tacada, que encontrou no tricolor um time onde suas melhores características puderam ser mostradas.

    Saja – Teve duas falhas e operou uma dezena de milagres. Identificado com a torcida, fez tanta questão de permanecer no Grêmio que acertou os salários sem complicação nenhuma e ainda tratou de negociar sua permanência no tricolor diretamente com o San Lorenzo. A direção foi irredutível em querer apenas renovar seu passe e descartou adquirir o goleiro por U$ 1,5 milhão que não é nenhuma fortuna que fosse comprometer os cofres em relação ao benefício. Parece estar sendo punido por uma lesão que teve defendendo o Grêmio. Lesão de meses antes do jogo contra o Figueirense, mas que estava sendo agüentada no osso. Sempre imaginei que seria o Grêmio o primeiro time brasileiro com um goleiro batedor de pênaltis. Claro que esta característica não deve ser colocada acima da real função, mas um goleiro com essas características e a identificação com o torcedor que ele tinha, poderia render bem mais, não só em campo, mas também em termos de marketing, como é feito em clubes com mais visão nesse sentido.

    Bustos - Caso idêntico com Diego Souza quando se pensa no jogador também como investimento. Com passe estipulado em valores parecidos com o do Saja, o colombiano está em fase de valorização, não pelo que tem rendido no Grêmio e sim pelos gols de falta na seleção colombiana. Não teve uma chance muito aproveitável em termos de seqüência de jogos no Grêmio, na dúvida a lateral sempre ficava com o Patrício. Bustos acabava no banco ou na lateral-esquerda, mesmo assim sem muita liberdade para apoiar no ataque.

    Willian – Este é o legítimo caso de um gato morto na cabeça, tiro no pé, trocar o certo pelo duvidoso ou a expressão que o leitor quiser. Negociar o Willian pela quitação total da dívida seria discutível e quem sabe aceitável, mas “Entregar” (o próprio Odone usou esta expressão) uma defesa sólida que conquistamos por uma parte da dívida. Aí não. É retrocesso, é colocar toda a responsabilidade em cima do Teco que está voltando de lesão. O Willian poderia ter dito que não vai e pronto, mas com toda a pressão em cima do negócio e por se sentir desvalorizado ao ser trocado por uma dívida. O cara iria dizer o que?

    Como foi dito no início, esta política de pés no chão é louvável se for traduzida em finanças sanadas e um grande futuro em médio prazo. Mas cai em contradição e começa a ficar perigosa quando a espinha dorsal da equipe é desmontada sem justificativas plausíveis. Mais do que nunca o apoio aos jogadores que chegam é necessário, já desembarcam sendo comparados com jogadores que estavam afirmados e no gosto da torcida. Com cobertor curto, cobre-se a cabeça e descobrem-se os pés. Já está na hora de fechar a torneira, não só do dinheiro, mas também do patrimônio humano.

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    Muita gente não entendeu, outros não quiseram entender a forma que o apoio incondicional foi tratado no post anterior. Essa discussão sobre a importância desse tipo de atuação de uma torcida em relação ao time vai longe e não será encerrada por aqui. Uns ainda confundem com omissão na atuação da diretoria, outros têm certeza absoluta que dizer que um jogador X não presta entes dele jogar, ajuda muito.
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    Legal a adesão do pessoal à comunidade do Blog. O pessoal não quis saber de esperar um número maior de participantes e começaram os trabalhos sem mim mesmo. É bem por aí.

  7. 18/12/2007

    Diga um número...



    Começaram os faniquitos do pessoal da terra-arrasada. Um Grêmio todo novo se desenha para 2008 e já está com marcação cerrada. Nunca foi o estilo do Grêmio contratar jogador por nome, e sim, os jogadores fazerem o nome por aqui. Quando tentou fazer o contrário, de tanto que se encheu a paciência, vieram os Amorosos da vida. Mas tem gente que não aprende e isso vai se tornando chato e repetitivo. Não tenho mais paciência para esse tipo de corneta nos comentários, quando percebo, logo no início aquele mesmo bla-bla-bla que só pode vir de um gerador de comentário corneteiro tabajara, passo sem ler o resto, quando aprovo.

    Nada justifica a corneta em cima de um cara que está chegando ao Grêmio, cheio de vontade de mostrar serviço e sonhando em entrar para a história do primeiro do ranking. É um balde de água fria no cara e um tiro no pé da torcida. O pior é que quando esses desconhecidos dão uma boa resposta (e geralmente dão), ninguém assume as críticas feitas na sua contratação ou nos seus maus momentos. Mais que isso, comemoram os gols, vibram com as vitórias que eles conquistam e ainda nos cumprimentam na rua: “Bah! Viu só que beleza o ‘nosso’ time?”. Por essas que o golaço do Ailton a final de 96 está manchado por um “vaia agora porra!”, bem direcionado.

    Existe o argumento de que o apoio incondicional deixa a torcida conformista. Quem for cabeça fraca pode até ficar, mas essa rebeldia vazia contra os alvos errados e nas horas erradas banaliza a crítica pontual e coerente. Quando for realmente necessária, não será interpretada como tal, pois uma meia dúzia inconseqüente conseguiu tirar a credibilidade de todos para tal.

    Também por isso, esse blog cada vez mais prefere o apoio incondicional à crítica, mesmo quando ela até poderia ser necessária. Não será este, mais um espaço na mídia pautado pela cornetagem que rende aplausos e audiência. Tem muito blog e coluna por aí que segue essa linha editorial fácil e simpática. O Blog do Torcedor do Grêmio pelo contrário, prefere perder metade da audiência, mas continuar sendo um talho azul na imprensa vermelha. Crítico com responsabilidade, quando for necessário e se ainda for possível.

    Sejam bem-vindos Mancini, Victor, Junior, Peter, Tadeu, Soares e quem vier. Não se assustem com a frase “não serve para meu time”, vinda de torcedores que não servem para o Grêmio. Joguem com raça, vontade e respeito por esta camisa, que a torcida vai apoiar, o resto vem por conseqüência. Foi assim que a maioria dos jogadores sem grife saíram do Olímpico com a cabeça erguida e aplaudidos até pelos seus corneteiros.

    Dedicado a quem servir o chapéu.


    Os que chegam

    O goleiro é Victor, valor baixo numa função tradicionalmente não muito valorizada no Olímpico. São os goleiros que costumam se valorizar no Grêmio sozinhos. Quando o trabalho é reconhecido pela torcida e esta se identifica com eles, acabam sendo mandados embora. Interpreto como “mandar embora” não pagar U$ 1.500 pelo Saja.
    Sou dos que acham que goleiro se faz no Olímpico. Mas se veio o argentino, correspondeu e a torcida se identificou, era para ter ficado. Se não ficou, era para ter segurado o Galatto ou aproveitado o Túlio do sub-20. Se não foi e preferiu-se outro goleiro, bem-vindo o Victor. A culpa do final atrapalhado dessa lógica não é dele.
    Também foi anunciado o atacante Tadeu ex-Juventude e São Paulo, do qual a lembrança que me vem a mente é daquele Juventude 2x0 Reservas do São Paulo. Se for quem eu imagino. Os dois se juntam a Peter e Junior já contratados, mais Soares na configuração de um time barato que se justifica na contratação do Diego Souza (assim se espera).
    Cogitou se Blaz Péres agora pela tarde, já desmentido pelo Pelaipe por ser informação plantada. Serviu para quê? Para quem vai atrás das cogitações se sentir chantageado emocionalmente, fazer beiço e descontar no Tadeu.

  8. 14/12/2007

    Um-dois



    Aquela dívida
    Especulações devem ser criativas. As melhores são criadas em reuniões de brainstorming e conseguem fazer a torcida sofrer ou se iludir antes do tempo sem que tenha havido até então nenhuma palavra oficial que a confirme. Quantos técnicos foram listados como nomes fortes nos corredores do Olímpico para o lugar do Mano e quantos destinos foram especulados para ele? Ninguém acertou em nenhum dos dois casos até que as informações verdadeiras apareceram. A história do Willian ser trocado por aquela divida de uns anos atrás que está bem viva e vocês nem lembram mais, está seguindo o mesmo script. Espero.

    Um na mão do que dois voando
    Seguindo o padrão acima, três reforços foram anunciados pela imprensa numa só tacada. Destes, o goleiro Ricardo já assinou com o Vasco. Sem problemas, se uma contratação podia melar, era justamente essa. Não se falou mais no Peter, o que preocupa quando se sabe que o maior pegador-de-viamão-lotado do Brasil, também tem interesse. O único bem encaminhado é Soares, que já foi liberado do Flu pelo Renato, por se tratar do Grêmio (viu só Mano?). Posso quebrar a cara, mas vou dar meu pitaco antes de ser apresentado. Com Soares, tudo indica que teremos finalmente uma correria de qualidade no ataque em 2008. Mas ainda falta um atacante de área compatível com essa nova proposta característica do Mancini.

    Meio-de-campo dos sonhos
    As especulações não param por aí, um prato cheio para quem gosta de acompanhá-las, colocar alguma esperança e sonhar é Danilo ex-São Paulo. Difícil resistir a tentação de imaginar um meio de campo com Eduardo Costa na contenção, Danilo na armação e Diego Souza chegando junto aos atacantes. Mas sonhe com moderação, As únicas notícias animadoras, por enquanto, são em relação ao Eduardo. O Espanyol já percebeu que ele não tem a mínima vontade de voltar e quer liberar o meia em definitivo.

    Negócio de Portugal
    A negociação mais fácil de ser concretizada e transformada na contratação do ano é a do Diego Souza, mas ironicamente é a que mais está angustiando a torcida. A diretoria tem a prioridade, a faca e o queijo na mão para comprar um jogador que está em ascensão e é nome certo para a seleção pré-olímpica, mas não demonstra vontade de investir um valor que é alto, porém será o dobro em retorno daqui a alguns meses. A direção insiste na prorrogação do empréstimo e assim o Grêmio está sendo mais português que o Benfica.

    No Brasil, acima de tudo, o Grêmio.
    O que não é especulação, pelo contrário, é oficial e bem justificado é o fato do Grêmio continuar não vendo ninguém à sua frente no ranking da CBF, atualizado ontem. Isso não foi muito divulgado na imprensa nacional, mas quem esperava por isso? A novidade é que a CBF está sendo pressionada e deve revisar a contagem. Até concordo com as reivindicações de valorizar mais a Libertadores. Com quatro Copas do Brasil e duas Libertadores no armário o Grêmio tem que estar ainda mais acima dos mono-copa.
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    Comunidade do Blog
    Tem muito assunto importante que acaba morrendo quando o blog é atualizado, outros assuntos surgem sem que tenha sido comentado por aqui. Para que ninguém fique mais refém das atualizações que dependem do meu tempo livre, vamos fazer uma experiência pelo orkut. Também quero utilizar as enquetes em assuntos polêmicos, o que fica complicado de fazer via comentários. Sendo gremista, esteja convidado para a comunidade do Blog, vamos ver no que dá.

  9. 11/12/2007

    Campeão do Mundo, o tradicional.




    Colocaram açucar na erva-mate e chamam de chimarrão tanto quanto o pura-folha. Já é comum para muita gente assar bife na grelha, chamar isto de churrasco e se convencer que é tão bom quanto um costelão 12 horas. Tchê Guri ou Barbaridade são vendidos na mesma prateleira de Luis Marenco e Pedro Ortaça. Por mais que os segundos se esforcem, berrem e tentem se vender com alguma grife, os primeiros serão sempre os mais cultuados sem fazer nenhum esforço. Este é o prêmio de ser pioneiro: se tornar clássico, tradicional e eterno, também sinônimos de imortalidade.

    Quem foi rei nunca perde a majestade. Faz hoje 24 anos que o Grêmio é o tradicional Campeão do Mundo do Rio Grande do Sul. Campeão do Mundo "da marca antiga" como se proclamava Jayme Caetando Braun e ninguém contesta. Campeão do Mundo com autoridade, contra os alemães que achavam que fazer o crime contra uma Juventus base da seleção italiana campeã mundial no ano seguinte, seria o mesmo que fazer o crime contra o Grêmio.

    O Grêmio estava apresentando seu futebol força ao mundo, não bastava uma vitória chorada com um gol improvável de balão para frente pelos pés de um renegado que o Grêmio representaria o futebol do Rio Grande, isto seria um desrespeito a marca gaúcha de conquistas e resistências. Teria que ser como exatamente foi. Com sangue na testa e força no garrão, neutralizando os alemães no típico futebol-força mas também mostrando que não era só isso, havia técnica para ser usada se preciso fosse.

    Hoje é o dia da maior parte dos gaúchos vestir a camisa tricolor imortalizada desde 1983. Uma conquista única para o Rio Grande no Mundial Interclubes clássico, que só os tradicionais do mundo possuem e conquistada de uma forma que nós sim, podemos nos orgulhar. O atual mundial, sem a mesma tradição mas com a mesma grife e credibilidade da "conquista" do Corinthians, pode ser buscado a qualquer momento por qualquer um. Mas e a tradição?

  10. 10/12/2007

    Saldões de Natal



    A pré-temporada de especulações já estava aberta desde que o Grêmio abriu mão da Libertadores, lá contra o Figueirense. Agora está aberta oficialmente. Mercado do futebol cheio, assim como a Voluntários em véspera de natal. Muita procura, poucas ofertas. Quem tem um ano promissor pela frente em termos de competições, se arrisca a gastar mais em mercadorias oportunamente remarcadas para cima. Os outros ficam se engalfinhando em volta dos balaios e das pontas de estoque. Empresários fazem o papel dos locutores de auto-falante, anunciando ofertas imperdíveis com aquela voz de locutor de rádio AM desempregado. Nem sempre leva-se para casa aquilo que a gurizada viu na televisão, que a patroa precisava, que a torcida imaginava ou que o técnico colocou na lista. Não era o que queriam, mas vai ter que servir.

    No papel de quem está em casa, esperando os presentes, sabemos que não podemos esperar nada de muita grife este ano e grande parte, na verdade acaba nem fazendo questão disto quando se lembra da nossa última grande contratação. Nos agarramos então, na tradição gremista de acabar transformando resultados de fim de feira em grandes negócios, aqueles que grande parte da torcida diz que não serve quando chegam mas chora quando vão embora. Refugo, a palavra da moda atualmente, sucesso na boca do pessoal de memória curta e viciados em Football Manager, já foi usada para definir recentemente Lúcio, Gavillán, Tcheco, Teco, Willian, por exemplo. Até mesmo Diego Souza recebeu essa alcunha, com menos ênfase é verdade, já que refugo do Benfica pode. Cabe lembrar também que a palavra foi muito pronunciada no início de 1995, mas isso será negado até a morte.

    A vitrine que o Grêmio tem que abrir o olho e se possível passar longe é a dos produtos em oferta por defeitos de fábrica. O Grêmio se deu muito mal com essas promoções em 2007 e ninguém quer mais ver jogadores recebendo salário e tratamento gratuíto no Olímpico. Seria frustrante ver a direção bater duas vezes no dedo martelando o mesmo prego, então torcemos para que os novos contratados não cheguem com histórico de lesões e cirurgias recentes. Cada contratação tem que ser feita com o Pelaipe na linha e Márcio Bolzoni na extensão.

    O primeiro contratado se encaixa no perfil de contratação com potencial de retorno mas também assustou os escaldados na questão física. Junior, da turma do Diego Souza no Flamengo, não joga desde setembro. Alívio ao se esclarecer que foi por desavenças com Ney Franco e não por lesão. Se precisamos de no mínimo uma meia dúzia de jogadores para titularidade em um ano de pouca receita para salários, que se vá às compras com muito cuidado, alguma desconfiança e nada de grife, sem esquecer também, que o barato sai caro. Quanta retórica para tanta necessidade, por essas que quase tivemos que pedir um presidente também.

Cristian Bonatto, gaúcho de Sapucaia do Sul. Acadêmico de Publicidade e Propaganda na Unisinos, tendo atuado na Área de Criação do Grupo Sinos, House de Marketing das Ferramentas Gerais S/A e na Agência Inside Direct. Em 29 anos de gremismo percorreu boa parte dos rincões gaúchos, brasileiros e sulamericanos com o Grêmio onde o Grêmio estivesse. É um dos milhares de sócios tricolores que preferem entrar pelo portão 10 da Geral, alentando incondicionalmente o imortal.

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