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Vanderlei Luxemburgo

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  1. 18/02/2008

    No hiato, três pontos.



    Um híbrido da extinta fase Mancini com um pouco de estilo Roth, sem ser nenhuma das duas coisas. Tão confuso e estranho como esta definição foi o Grêmio contra a Ulbra. Nem poderia ser diferente neste hiato de treinadores assumido pelo técnico de juniores Julinho Camargo. Armou um time com um meio de campo povoado (a lá Roth) na teoria e chegava a ter três atacantes na prática. Vamos combinar, dadas às circunstâncias fez muito com a batata quente nas mãos. O remendo deu certo e os três pontos já estão no seu Curriculum Vitae e na conta do Grêmio.

    Sentado nas tribunas da facul, Roth viu os jogadores do Grêmio atuando com uma Raça e dedicação que não se via há meses (contando-se boa parte do ano passado junto). Analisou individualidades. Viu Roger fazer sua melhor partida desde a sua estréia, se tornar um dilema: vai ter que aproveitar um jogador que não marca e se tornou indispensável mesmo assim. Viu Paulo Sérgio em um dos seus dias bons, quase marcando um golaço. Seu problema tem sido a irregularidade de jogo para jogo. Teve a impressão que o Léo só tem cara de guri. É um zagueiro pronto e completo. Sofreu um pênalti tentando costurar a zaga adversária. Viu também mais uma grande atuação do Vitor no gol.

    Mas o que Roth também viu, não gostou e deve ter se coçado na cadeira, foi a entrada imprudente do Anderson no adversário, que deixou o time com um jogador a menos aos 12 minutos de jogo. Uma adversidade que acabou sendo um teste para o restante da equipe, que mostrou raça sem esquentar a cabeça e se impôs de uma forma que parecia ser a Ulbra que tinha um a menos.
    Que o Roth consiga tirar proveito do que viu. Além da cobrança normal que um técnico que chega ao Grêmio tem, haverá a comparação, daqui a 40 dias, dos seus resultados com os do Mancini. Chato e inevitável, mas não foi ele, nem a torcida, nem os jogadores, nem o antecessor que criou essa situação. Com certeza não é para a torcida que interessa criar e alimentar crises no Olímpico.

    Quinta defendendo a liderança contra o Esportivo estaremos lá. É a camisa do Grêmio que estará em campo, independente de quem a estará vestindo ou comandando. Ela vale a pena e justifica tudo.

  2. 15/02/2008

    Depois da tempestade,
    vem as interrogações



    O que está feito, está feito. Celso Roth é o futuro, Mancini é o passado. Passei o dia lendo e ouvindo as explicações oficiais da direção e também as palavras do ex-técnico-de-futuro-inteligente-com-a-cara-do-Grêmio. Ficou tudo mais ou menos claro como a água do Rio dos Sinos. Parece que o Odone, nunca gostou muito da idéia do Mancini ser o técnico, numa condição dessas, seria demitido de qualquer forma. Como não ele teimava em não dar motivo e permanecia invicto. Foi sem motivos mesmo. Se foi uma decisão acertada só o tempo dirá. Mas dirá.

    Pesa a favor do Celso Roth o estilo antagônico ao futebol moderno. Esqueçam a história do Costelão 12 horas. Times do Roth costumam dar resultado de forma rápida, mesmo que não duradoura. Um dos grandes mistérios do futebol brasileiro: Roth nunca ganhou um título de relevância, mas está sempre nas cabeças de algum grande clube. Uma hora vai. Que seja agora então.

    Porém, duas perguntas que me preocupam, e muito, sobre esse episódio não foram respondidas embora sejam muito importantes para o futuro próximo do Grêmio:

    Mancini ficou no Grêmio 43 dias, enfrentando o desentrosamento da equipe e más condições físicas na maioria desse período, mesmo assim conseguiu um aproveitamento de 77,7%. Celso Roth pega um time bem melhor fisicamente e com menos desentrosamento. O que acontecerá se no mesmo período de 43 dias, Roth não atingir um aproveitamento pelo menos parecido? Já que este é o período estabelecido como suficiente pela direção, para que um time dê um resultado satisfatório.

    Não foi simplesmente o Mancini que foi demitido. Foi um projeto que estava sendo construído. Uma idéia de time substituída por outra bem diferente. Roth terá em mãos, material humano contratado para o projeto de time ofensivo do Mancini. Mais ou menos como dar para um marceneiro, o material de trabalho de um pedreiro. Sendo que a ferragem já fechou. E agora?

    Domingo é com a gente

    Domingo, contra a Ulbra o time entrará em campo sob o comando de Julinho Camargo, que montará um esquema tático tampão e fará o que for possível. Será da arquibancada que terá que vir o incentivo. A torcida, livre de qualquer culpa, que apoiou Mancini e apoiará o Roth, assume a função de técnico no que diz respeito a empurrar o time para cima da Ulbra. O time não tem culpa nessa história e não os deixaremos na mão. Sorte do Grêmio que somos assim.

  3. 15/02/2008

    E a histeria venceu



    Demitiram o assador. A carne foi fora. Chama uma tele-entrega da solução fast-food.
    Mata a fome na hora, não alimenta, mas tem gente que gosta.

    Valeu Mancini, primeiro técnico demitido invicto.

    Pelaipe, novo herói dos cornetas. Se merecem.

  4. 14/02/2008

    A linha tênue entre a preocupação e a histeria



    Numa noite onde nada dava certo, o Grêmio jogou mal e deixou de se classificar para a próxima fase da Copa do Brasil, contra o seu clone mato-grossense, que atuando num 0-5-5 garantiu assim, a primeira viagem de avião da sua história, para conhecer Porto Alegre. Essa é a notícia, isso foi o que todo mundo viu. Até o Pelaipe se irritou e não fez questão de esconder sua preocupação. Claro que há casos a serem repensados, Paulo Sérgio chegou sob desconfiança e a confirmou, até foi bem contra o Novo Hamburgo, mas ontem errou quase todos os passes e ainda queria dar pedalada com o jogo empatado. Peter ainda não mostrou nada desde que chegou ao Grêmio. Por menos, Wagner já foi sacado do time.

    Mas também não se pode fechar os olhos para o nervosismo e o desentrosamento quando um passe pára no calcanhar do companheiro e para a falta de sorte quando o goleiro adversário defende sem querer um chute com a cara.
    Agora, tem que ser muito ignorante e/ou cego e/ou mal-intencionado para colocar isto fora de um contexto que apesar de parecer chato e repetitivo, é o real: O Grêmio é um time em formação, um grupo todo modificado, com menos de dois meses de trabalho, onde quase metade dos jogadores considerados titulares ainda não estreou e ainda tem gente por chegar. Não existe um time sequer do planeta, que tenha dado show numa condição dessas.

    A imprensa faz a parte dela, muitas vezes, o fato por si só não garante audiência, visibilidade, leitores e ouvintes. Neste caso, é preciso colocar lenha na fogueira, ignorar a situação real de um time em formação e produzir manchetes sensacionalistas em cima da atuação de algo que ainda está no rascunho. Se isso gerar uma crise, azar do goleiro, cada um com seus problemas e não saia daí até ouvir todos os patrocinadores.
    Lamentável é que parte da torcida acabe embarcando nessa, dando mais crédito para comentaristas (muitas vezes com intenções obscuras) do que pra o time. Muitos acabam se tornando verdadeiras lavadeiras histéricas.

    Quem fica apressando o assador acaba comendo carne crua por dentro e queimada por fora. Não é por aí. Ainda mais quando é um costelão 12 horas que está sendo preparado.

  5. 12/02/2008

    De Jaciara à Tóquio.
    O Grêmio é a referência.




    Nesta quarta o Grêmio inicia a caminhada rumo ao Penta da Copa do Brasil contra um adversário-filho do Mato Grosso. O Jaciara é um clube fundado por gaúchos, onde quem manda são os gremistas. Por isso o time recebeu as cores e o símbolo do imortal. Nada de novo nisto. Temos vários Flamengos e Cruzeiros uns Palmeiras, outros Corinthians e muitos etceteras de genéricos dos grandes clubes espalhados pelo país. Todos com histórias e justificativas parecidas, fundados em épocas gloriosas dos clubes de referência, adotando suas cores, símbolos ou nome.

    Comum no território nacional. Já quando se fala em clube brasileiro sendo referência mundial, esse clube é o Grêmio. Reconhecimento internacional por uma história de façanhas e títulos (duas coisas diferentes), o posto de número 1 do Brasil e uma camisa tricolor de tradição, com cores e desenho únicos servem de explicação para esta inspiração sem fronteiras. Vamos aos nossos mais ilustres afilhados internacionais:

    Kawasaki Frontale – O Clube da primeira divisão do Japão utiliza o azul, preto e branco desde a sua fundação em 1995, foi a segunda disputa do Mundial pelo Grêmio que inspirou o tricolor da região metropolitana de Tóquio a adotar os uniformes principais e reservas iguais aos do Imortal. Até mesmo o símbolo do clube era igual. No final dos anos 90, um novo layout foi criado para a camisa do time, mantendo-se as cores.

    Clube Almagro – Um dos mais populares da Argentina, fundado em 1911 no bairro de mesmo nome na capital portenha se considera irmão do Grêmio. Começou-se aí um intercâmbio que partiu das arquibancadas (onde as camisetas e barretes do tricolor gaúcho são comuns no estádio do Almagro e vice-versa) e passou para as diretorias, até que no ano passado o Grêmio recebeu a visita dos dirigentes argentinos, que entregaram uma placa e uma camiseta do tricolor de Buenos Aires.

    Grêmio Porto Riesbach – O clube amador da Suíça tem uma parte de seu site em português dedicada exclusivamente a explicar a origem de sua inspiração no Grêmio, que ocorreu durante a conquista do torneio de juniores FIFA/Blue Stars Youth Cup, em 2001 pelo tricolor em Zurique. O fundador Manuel Rieder, também organizador da competição e seus amigos ficaram “fascinados” pelo Grêmio e desde então são gremistas “de paixão”.

    A inspiração não pára por aí. Continua no Japão com o tal Primeiro Fukushima, segue para os Estados Unidos e se espalha pelo Brasil de Jaciara a Montes Claros. Uma espécie de imperialismo pela bola, conseqüência natural de uma tradição conquistada de forma honrosa e sem subterfúgios apelativos.


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    Para refletir: O que frustra é perceber que esta marca nunca foi explorada de forma eficiente pelo departamento de marketing do clube. Será que o clube já fez pelo menos algum levantamento profissional do valor de mercado da marca Grêmio em termos de patrimônio? Fica o espaço para a resposta.

  6. 11/02/2008

    A paciência recompensa



    Paciência é uma virtude que costuma ser bem recompensada. Quem teve a chance de estar no Olímpico já pode ver uma cara de time que agrada. Um grupo de jogadores com características diferentes, se entrosando e encontrando aos poucos a melhor configuração entre si. Tudo alicerçado em uma estrutura de time muito bem pensada pelo técnico Wagner Mancini, que mostra ainda sabedoria para sempre apresentar algo novo. Tenho a impressão que ouviremos muito a expressão “nó tático” nos grandes confrontos tricolores.

    Claro que a verdadeira atração não era exatamente, para a maioria, conferir o andamento dessa alquimia como um todo, e sim, a estréia dos dois ingredientes mais esperados até o momento. Roger e Perea mostraram não só que combinam com o time, mas também combinam entre si. Talvez por solidariedade entre estreantes, se procuraram em campo e parecia que já jogavam juntos há mais tempo. Essa é a diferença dos que tem a manha.

    Não era para o Roger ter jogado os noventa minutos, poderia ter saído uns cinco minutos antes para ser saudado pela torcida, mas não precisou. Foi um bom teste de Gauchão promovido pelos zagueiros do Novo Hamburgo. Para o bem do Grêmio, Roger tinha mesmo que passar por uma caça daquelas no primeiro jogo. Saiu-se bem, levou umas pancadas, uns cotovelaços e encaradas logo no início. Nem se abalou e acabaram o largando de mão. A atuação só não foi perfeita para uma estréia porque o juiz, não marcou aquele pênalti claro, que até ele viu e não quis marcar por beicinho. Seria o gol na estréia, que o Roger acabou tentando de falta e passou perto. No mais passes e lançamentos inteligentes que chegaram a surpreender até quem ia recebê-los, por não estarem acostumados. Uma questão de tempo e entrosamento para sair muito coelho desse mato.

    Aos quinze minutos do segundo tempo, a galera começou a se agitar quando percebeu o auxiliar técnico correndo da casa-mata em direção aos reservas que se aqueciam atrás do gol. Perea entretido com um alongamento na placa de publicidade ainda mostrou modéstia respondendo o chamado com um “Yo??”. Nos 30 minutos que jogou (quase sem ter participado de coletivos entre os titulares), mostrou vontade, velocidade e bom posicionamento. Tudo que o Wagner precisa.

    No gol, já está ficando repetitivo elogiar o Vitor. Como um goleiro desses ainda estava no Paulista é a grande dúvida. Sorte nossa. Anderson, por sua vez será problema com a volta do Hidalgo. Tem que haver lugar no meio para ele no time e não é só pelos lançamentos com a mão. Willian Magrão é outro que não quer largar o osso no time, um golaço do artilheiro da equipe e um desafio para a cabeça do Mancini. A estréia de Perea e o anúncio do Soares mexeram com Jonas e Tadeu. O segundo teve mais sorte e guardou o seu para manter a esperança.

    A eleita camisa mais bonita do mundo completou a Débora Secco. Apesar do boné. Foi sacanagem aquilo, o pessoal das cadeiras não viu o jogo.

  7. 08/02/2008

    A chance do Roger



    Ele podia estar roubando, ele podia estar matando, ele podia estar em um camarote de cervejaria na Sapucaí, ele podia estar jogando futevôlei, ele podia estar de novo na Caras, ele podia estar sendo abordado pelo Vesgo e o Silvio ou poderia passar o dia num quarto com a Débora. Mas não, ele estará em campo amanhã vestindo a camisa do Grêmio contra o Novo Hamburgo no Gauchão. Tem mais, foi ele que pediu para entrar.

    Passou-se um mês que Roger chegou ao Olímpico derrubando os butiás do bolso de todo mundo. Chegou sob desconfiança, sabendo que todo mundo tinha motivos para isso. Baixou a cabeça e foi trabalhar. Mesmo que ainda com pé atrás a torcida reconheceu a dedicação e comprometimento do Roger nos treinos, como se fosse um júnior recebendo uma chance no profissional. Foi destaque do último treinamento antes do jogo de amanhã e saiu do campo suplementar aplaudido, sob o alento de um público de jogo.

    Mancini também faz sua parte, discípulo do Felipão, aprendeu com o melhor como lidar com situações destas. Esperto chamou para o Roger a responsabilidade de comandar a gurizada dentro de campo, sem lhe dar a braçadeira, com isso injeta uma dose a mais de comprometimento nas costas do Roger. Um conhecido problema do jogador em outros clubes.

    Perea tinha sua estréia condicionada a sua atuação no amistoso de sua seleção contra o Uruguai, esse era o discurso no início da semana. Pois o negão destruiu em campo. Se o Mancini promover também sua estréia no sábado, além de aumentar consideravelmente o público, vai ajudar tirando um pouco da carga de olhares de cima do Roger.

    Grandes motivos para estar no Olímpico neste sábado de sol. Leve também seu apoio, quem demonstra dedicação para dar a volta por cima e respeito por essa camisa, merece paciência e tranqüilidade. Olímpico cheio, melhor situação impossível para o início de uma recuperação.

  8. 04/02/2008

    Perspectivas no carnaval



    Levando-se em consideração que meio time ainda não estreou e estipulando-se com muito otimismo uns dois jogos para que cada uma destas novas peças demonstre algum ritmo de jogo e entrosamento, o prazo ainda é de mais ou menos um mês para que qualquer torcedor racional possa analisar o Grêmio como um time definitivo. Mas o jogo contra o Caxias deu mais nitidez para as características deste projeto de Grêmio. Mostrou o lado bom e o lado ruim de uma forma bem didática, um capítulo para cada um, no primeiro e segundo tempo.

    Nos primeiros 45 minutos, time para cima do adversário com três atacantes fora de casa. Ofensivo não só na teoria, mas com os três realmente atacando. Dois a um, fora o show e as duas bolas na trave. O segundo tempo mostrou uma característica nova em relação ao Grêmio do Mano Menezes, uma evolução considerável, o Grêmio não recuou com o placar favorável. Claro, esta tendência ainda verde em um time experimental, somada a àquela mão do juiz para o time da casa, acabou resultando no empate do Caxias. Não levamos os três pontos, mas ganhamos algo muito mais importante nesse período do Grêmio. Boas perspectivas.

    Vitor, Willian Magrão e André Luis já estão deixando ser destaques para se tornarem afirmações. Paulo Sérgio, uma das contratações mais reprovadas ainda não mostrou nada de espetacular no Grêmio e ninguém na verdade esperava isso. Mas uma coisa deve ser dita: em quatro jogos com a camisa do Grêmio, produziu em campo, no mínimo a mesma coisa que o dispensado Bustos produziu em seis meses, com a vantagem de ter um cruzamento melhor e apoiar bem mais. Ainda falta trabalho sanar o velho problema da lateral-direita mas parece estar no caminho certo. Wagner cederá o lugar naturalmente para o Jean, mas com contrato até 2010, tem que trabalhar esse nervosismo urgentemente.

    Contra o Nóia, o time começa a receber em doses homeopáticas a outra metade do time de 2008, previsão de casa cheia para a estréia de Perea e Roger, além da possível volta de Hidalgo. Na seqüência o zagueiro Jean e o recém contratado ao Bayern, Julio dos Santos. Mais adiante, a última e misteriosa peça do tão especulado meio de campo tricolor. Sem falar dos liberados Rodrigo Mendes e Bruno Teles.

    Muito trabalho, muita gente para estrear, muita água para rolar. Porém, invictos.


    Alalaôs.

  9. 28/01/2008

    Grêmio Protótipo



    As coisas que nunca foram fáceis na história do Grêmio, mas num momento de construção como este as dificuldades se multiplicam e todos têm o seu carrinho de mão para puxar, desde os jogadores, o Mancini, a direção, a torcida. Um cronista que não é cronista e nem se encaixa na categoria imprensa também tem o seu para carregar. Seria muito mais fácil a crítica vazia, cega e irresponsável para agradar uma parcela inconseqüente da torcida que já quer levantar o telhado quando o momento é de construir o alicerce. Geralmente não carregam nem um tijolo, mas vão aparecer na hora da festa de inauguração.

    Como no futebol não se pode colocar uma placa de “fechado para reformas”, a vida continua. No sábado quem foi ao Olímpico teve a oportunidade de conferir o andamento dessa construção de time enquanto curtia um nordestão nas paletas. A maioria dos presentes estava neste espírito, mais ou menos como quando se vê uma criança aprendendo a engatinhar, sabendo que ela vai se desequilibrar e se esborrachar muito antes de nos dar alguma alegria. Claro, também tinham muitos lá loucos para dar uma rasteira na criança.

    Direto da praia para a cancha, sem escalas, peguei o pré-jornada no caminho e ouvi uma declaração, se não me engano, do Peter. Perguntado se o Grêmio seria o da estréia ou do meio da semana, disse que não seria nenhum dos dois e teríamos um Grêmio diferente no jogo daquela tarde. Isto sim me preocupou, uma declaração visivelmente preocupada com a pressão, de quem está assimilando uma pressa perigosa. Claro, que não veríamos isto em campo ainda.

    O que pudemos ver de fato foi mais vontade dentro de campo, esse elemento que nunca é demais e talvez tenha faltado no jogo contra O Sapucaiense. Pena que entrosamento não é tão fácil assim de se adquirir. Não dá para o Mancini chamar o pessoal no vestiário e “Abracadabra! Declaro que a partir agora vocês estão entrosados e sabem onde os companheiros estão de olhos fechados”.

    Sem este entrosamento que leva a um esquema e depois a um padrão de jogo, resta avaliar individualidades, o que se torna um tanto inútil também quando não está em um contexto de time. Vitor mais uma vez foi seguro quando exigido. Paulo Sérgio teve alguma melhora principalmente nos cruzamentos, mas nada de significativo. Anderson não é o mesmo de quando joga no meio, mas tem bola e crédito para se adaptar e brigar com o Hidalgo. A zaga não está se achando e Léo continua resolvendo sozinho, deve melhorar com a chegada do Jean e não está descartada a vinda de mais um zagueiro.

    O meio é o setor que mais sofrerá mudanças, só Eduardo Costa tem lugar garantido, enquanto isso segura as pontas e vai dando tranqüilidade para os aspiras mostrarem serviço, como foi o caso do Willian Magrão no sábado. Por ali a surpresa é a possibilidade do Roger pintar já no próximo jogo. Bem antes do previsto se o Mancini entrar na onda da precipitação. O ataque espera por Perea e promove um vestibular para seu parceiro. Tadeu, Jonas e quem sabe André Luis. Reinaldo não está mostrando vontade para essa briga e deve perder a posição já contra o Caxias.

    “Vamo embora, vamo embora
    prenda minha, tenho muito que fazer...”



    Se for possível um pedido ao que partilham comigo dessa doença incurável, é de muita paciência e o incentivo possível. Esse time e o técnico Wagner Mancini merecem. Mais do que isto, o Grêmio merece paciência para uma remodelação necessária, com os pés no chão e um planejamento para longo prazo. A pressão deve ser direcionada para que a direção defina os reforços que ainda faltam o mais rápido possível. O tempo necessário para pensar a política de contratações é justo, mas tranqüilidade ao grupo também se dá com jogadores diferenciados. A Copa do Brasil se aproxima e o Penta tem que ser a recompensa do trabalho que todos estamos tendo nesta empreitada. Para chegar à Libertadores numa situação diferente da que iniciamos e mesmo assim, quase levamos, no ano passado.

  10. 24/01/2008

    Haja Paciência



    A mesma lógica de conter as conclusões precipitadas que valeu depois da goleada em cima do XV, vale também para o empate com “O” Sapucaiense em seu estádio alugado por temporada. Estoque paciência em casa. Precisaremos muito dela até que se arrume este time sob nova direção e em obras para melhor atender-nos. Não será no próximo jogo que teremos sequer uma idéia do Grêmio 2008, nem no próximo, nem na estréia de Perea e Roger e ainda demorará mais um pouco depois de chegar o pacote contendo um zagueiro e dois meias que a direção promete para os próximos dias. Muito pouco do esquema do jogo do Mancini pode ser mostrado nos últimos jogos por muito nervosismo e pouco entrosamento em um time onde Eduardo Costa com 25 anos é chamado de tio.

    Bastou o Grêmio enfrentar um adversário mais forte que o XV para que essa disfunção bipolar ficasse evidente. Quem diria! Segunda rodada e já me referi ao Sapucaiense como um time mais forte que alguém. Não que isto me surpreenda muito, eu já havia dado a letra do time da minha capital nacional dos chevettes na segunda-feira. O adversário do Grêmio foi abusado, veloz, inexperiente quando perdeu dois gols feitos e com um técnico que vale a pena prestar atenção. Ipsis Literis ao que foi escrito na segunda-feira. Mas os eventos previsíveis ficam por aí.

    Anderson que havia sido destaque na primeira partida jogando no meio, ficou sem muita opção de jogada ontem na lateral, dada às ausências de Jonas e a onipresença de Peter. Victor, o goleiro que muita gente imaginou que ficaria embaixo das traves o jogo inteiro admirando a lua cheia acabou salvando o Grêmio quando foi exigido em uma saída de gol perfeita e numa defesa de reflexo. Tadeu foi outro destaque positivo, se movimentou bem no ataque, chamou a responsabilidade para uma cobrança perfeita no pênalti que ele mesmo sofreu do zagueiro Cirilo, que de fato é muito parecido com o incompreendido ex-aluno da Professora Helena. Uma pena foi a queda de rendimento do André Luis.

    Sábado o mistério continua contra o Santa Cruz, mais uma vez o placar não deverá traduzir muita coisa, melhor estar lá tirar, as próprias conclusões e dar aquele apoio que só o Monumental é capaz de proporcionar.

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    Souza não vem mais, ou nunca esteve de fato, para vir. Mais uma novela sem o final esperado. O pior disto tudo é o trabalho dedicado em vão com Soares, Diego Souza e Souza. Foi muito tempo nessa brincadeira. Só não dá para dizer “tempo perdido”, porque Perea e Roger foram anunciados justamente no intervalo dessas novelas.
    Agora a imprensa fala em Rochemback, não comento até ouvir alguma palavra oficial, mas quem ainda quiser comentar especulação, fique a vontade. Depois é o Pelaipe que faz pegadinhas...

Cristian Bonatto, gaúcho de Sapucaia do Sul. Acadêmico de Publicidade e Propaganda na Unisinos, tendo atuado na Área de Criação do Grupo Sinos, House de Marketing das Ferramentas Gerais S/A e na Agência Inside Direct. Em 29 anos de gremismo percorreu boa parte dos rincões gaúchos, brasileiros e sulamericanos com o Grêmio onde o Grêmio estivesse. É um dos milhares de sócios tricolores que preferem entrar pelo portão 10 da Geral, alentando incondicionalmente o imortal.

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